Prefeitura de SP diz que só pode remover 5 mil de represas

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, reduziu na quarta-feira, 7, o número de famílias que serão retiradas de áreas de preservação da Represa Guarapiranga. Em vez das 30 mil famílias previstas pelo governo do Estado, ele disse ser possível retirar só 5 mil, incluindo ainda moradores do entorno da Represa Billings. O que emperra a retirada são falta de pessoal e de verbas e problemas de logística.O objetivo da retirada é evitar novas ocupações irregulares preservar as áreas de manancial, além de coibir a venda de lotes e de material de construção. "A ação da Prefeitura foi superdimensionada. Primeiramente, vamos identificar as famílias que recentemente se instalaram em locais ilegais e depois planejar a saída." A Prefeitura, segundo Kassab, não mexerá nas áreas com ocupações antigas, pela dificuldade de uma eventual remoção. Não há definição de data para a saída das primeiras famílias.Na quarta, os secretários do Meio Ambiente do Estado, Francisco Graziano, e do Município, Eduardo Jorge, anunciaram um plano com 22 itens para a recuperação e preservação da Represa Guarapiranga, que deve ser concluído até o fim de 2008. Três subprefeituras, M´Boi Mirim, Capela do Socorro e Parelheiros, vão gerenciar e executar tais ações.Por outro lado, o secretário-adjunto de Governo, Edson Ortega, disse que a remoção já teve início e as famílias irão para alojamentos de emergência, em áreas próximas às casas atuais, mas fora de área de preservação. "Já começou a remoção. As famílias ficarão em abrigos de emergência até que consigam local para morar", disse Ortega, sem citar quantas foram transferidas. Eduardo Jorge disse que as subprefeituras estão delimitando perímetro para iniciar a retirada. O plano de trabalho inclui famílias que estão de 30 a 50 metros da água e aquelas em áreas de risco. "O remanejamento é tratado em parceria com a Secretaria Municipal de Habitação. São pessoas que estão residindo há anos e não podem burlar a lei. São 30 mil famílias em situação crítica. Não podemos deixá-las ao léu", afirmou Graziano. Mas a preocupação da administração local não é só com o abrigo das 30 mil famílias. O problema esbarra na infra-estrutura para a fiscalização diária do manancial e do comércio de material de construção. "Não há gente suficiente nas subprefeituras. Precisamos evitar ainda que, fechadas as casas de construção, caminhões de outros estabelecimentos adentrem aqui com esse material. Como fazer isso?", pergunta um técnico da Prefeitura.O governador José Serra disse que o Estado dará toda a cobertura à Prefeitura. "Guarapiranga tem a água para toda a nossa população. Se não protegemos a água, como vai ser? Batalhar por Guarapiranga é batalhar pela saúde de toda a população de São Paulo." Colaboraram Juliano Machado e Ricardo Westin

Agencia Estado,

08 de março de 2007 | 15h37

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