Prefeitura de SP estuda ressuscitar a CMTC

A Prefeitura estuda a possibilidade de ressuscitar a extinta Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC). Segundo o secretário de Transportes, Jilmar Tatto, estudos técnicos estão sendo concluídos. A decisão final cabe à prefeita Marta Suplicy (PT). Mas Tatto avisa que a nova empresa municipal de transportes não será igual à antiga CMTC. Será enxuta e responderá por cerca de 10% do sistema. O principal objetivo da Prefeitura é ter uma arma a mais na briga com os empresários. A nova CMTC, segundo Tatto, vai funcionar como uma empresa comum. Trabalhará em um dos oito lotes em que a cidade vai ser dividida. Mas seus veículos e funcionários poderão ser deslocados para reduzir danos provocados por eventuais paralisações das outras empresas de transporte coletivo. Além disso, a nova empresa poderá servir como um termômetro, possibilitando aos técnicos da São Paulo Transportes (SPTrans) avaliar com mais freqüência e facilidade os gastos do sistema. "Criar uma empresa municipal de transportes é ir na contramão da história. Só faz sentido se for para ser uma arma de pressão contra os empresários. Mas será preciso vontade política para que isso dê certo", adverte o ex-secretário municipal de Transportes e presidente do Instituto Brasileiro de Trânsito e Transporte, Getúlio Hanashiro. Foi ele quem determinou a morte da CMTC, em 1993, ao privatizá-la. O ex-prefeito Paulo Maluf dizia que iria acabar com a empresa para punir os "tubarões das catracas". Marta pode recriar a CMTC para tentar combater os maus empresários. Segundo Hanashiro, uma empresa de transportes administrada pela Prefeitura pode se transformar tanto numa arma de pressão contra os empresários como numa forte aliada. Ele viveu essa fase de "médico e monstro" da CMTC. Em 1984, quando foi secretário de Transportes de Mário Covas, comandou a intervenção em 12 empresas, quando os empresários ameaçavam fazer um locaute. O movimento grevista dos patrões, que queriam aumentar a tarifa, terminou rapidamente. Em 1993, Hanashiro lutou pelo fim da CMTC porque ela encarecia o sistema e favorecia os empresários. "A empresa dava um prejuízo de US$ 500 milhões por ano. Era uma sangria para os cofres públicos", lembra Hanashiro. A CMTC foi fundada em 1947. Em pouco tempo, seus funcionários recebiam mais do que os trabalhadores de empresas privadas. Em 1993, o custo do passageiro transportado pela CMTC era de US$ 1,33, enquanto que nas empresas privadas era de US$ 0,30. Segundo Tatto, os estudos iniciais indicam que a nova empresa deve ter cerca de mil ônibus (10% da frota total do sistema) e cinco mil funcionários. Além disso, ela surgiria juntamente com a fusão da SPTrans e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) numa empresa que, além de transportar passageiros, ajudaria a fiscalizar trânsito e transportes. A nova licitação também prevê a criação de mais uma empresa (que teria participação dos empresários que trabalhassem no novo sistema) para gerenciar os recursos arrecadados e distribuí-los entre as empresas que operarem os 8 lotes. "A palavra final da criação da nova empresa, bem como da estrutura que ela vai ter, está com a prefeita Marta Suplicy", afirma Tatto. A decisão da prefeita não deverá demorar muito, já que o secretário pretende anunciar os vencedores da licitação logo após o carnaval. Isso, claro, se não tentarem na Justiça impugnar a licitação. A Prefeitura teria de entrar na concorrência para disputar um lote. O secretário afirma que a empresa também poderá operar um lote que não tenha interessados. Ele já manifestou a intenção de conceder a perueiros o direito de concorrer à licitação. Com dinheiro emprestado do BNDES, poderiam comprar ônibus. "Isso mostra que a Prefeitura não depende apenas dos empresários que trabalham hoje no sistema", diz Tatto.

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