Prefeitura de SP quer atrair fábrica de turbinas a gás

A Prefeitura de São Paulo planeja atrair, para a zona Leste da cidade, um grande fabricante de turbinas a gás natural e equipamentos como parte de um programa de desenvolvimento socioeconômico da região. Além dessa fábrica, a expectativa é também viabilizar um "ambiente amigável" para a implantação, na zona Leste, de empresas dos segmentos têxtil/confecção e máquinas/ferramentas.Segundo levantamento realizado pela consultoria A.T. Kearney, contratada pela prefeitura para elaborar as diretrizes do programa de desenvolvimento da região (considerada carente de recursos), a atração destes segmentos proporcionará, no longo prazo, um valor agregado de cerca de R$ 2,1 bilhões por ano à economia. Também seriam criados, por essas iniciativas, cerca de 390 mil novos postos de trabalho, a grande maioria na própria zona Leste, conforme a consultoria."Uma fábrica de turbinas a gás pode gerar milhares de empregos e introduzir tecnologias e uma cadeia produtiva no País que podem alavancar o desenvolvimento da zona Leste de São Paulo", previu George Freund, vice-presidente da A.T. Kearney. Ele destacou que a idéia de construir um complexo diferenciado para a região é uma iniciativa de longo prazo, devendo tomar uma ou duas décadas para a sua formação.A expectativa é de que os excedentes de gás natural existentes no Brasil, a partir da descoberta de reservas significativas na Bacia de Santos no ano passado, estimulem o mercado para a produção, no País, de turbinas a gás para a geração de eletricidade. Segundo informações da prefeitura paulistana, o segmento de turbinas movimenta US$ 700 bilhões em negócios no mundo todo, com um crescimento anual de 10%. Não há fábricas de turbinas a gás no Brasil, embora a geração térmica tenha apresentado, mesmo com os atuais entraves, um crescimento nos últimos anos.Além da fábrica de turbinas, o programa prevê a atração de um grupo de 30 grandes empresas têxteis e de confecção, além de um universo de até 600 microempresas que atuariam neste segmento. "A indústria têxtil já é uma vocação da zona Leste", disse Freund.O ramo têxtil, segundo ele, já emprega 120 mil profissionais em São Paulo. A zona leste poderia se transformar, de acordo com a prefeitura, em uma base para a exportação, de forma que o País possa desfrutar de um mercado que cresce 5% ao ano e movimenta US$ 240 bilhões. "Nesse segmento, o Brasil é o quinto maior produtor mundial, mas o 31º exportador", disse Freund.Máquinas e ferramentasOutro setor que deverá ser atraído para a região é o de máquinas e ferramentas. De acordo com levantamento realizado pela A.T. Kearney, será possível atrair ainda nove grandes fábricas deste segmento. Para a prefeitura, esse setor é estratégico para a ampliação da competitividade das exportações brasileiras, pois gera um déficit anual de R$ 250 milhões por ano. "Estamos tratando de indústrias bastante globalizadas, que podem levar o País a ter uma participação maior em mercados mundiais", disse Freund.De acordo com o assessor especial da Prefeitura de São Paulo, Branislav Kontic, a prefeitura já está tocando iniciativas com o objetivo de viabilizar a implementação desse programa. Segundo ele, já foram investidos, por exemplo, R$ 130 milhões no prolongamento da avenida Jacu Pêssego, na zona Leste - eixo em torno do qual se espera que sejam instaladas as novas indústrias - até Guarulhos. Com essa obra, se facilitará o acesso ao Aeroporto Internacional de São Paulo (Grande SP), para a exportação. Em relação ao programa, está sendo criado um grupo executivo para administrar o projeto, segundo Freund. Será finalizado ainda um projeto de lei, a ser enviado à Câmara Municipal, para viabilizar a estrutura jurídica do programa, acrescentou o vice-presidente da A.T. Kearney.

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