Prefeitura define demolidora do S.Vito e Mercúrio

Ao custo de R$ 9,23 milhões, empresa pode iniciar trabalhos

Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

15 Julho 2009 | 00h00

Após cinco anos de impasse, a Prefeitura de São Paulo anunciou ontem que vai iniciar a demolição dos edifícios São Vito e Mercúrio, no centro da capital. Desocupados, os dois prédios estão hoje em uma área de 5.300 metros quadrados. No local será construída uma praça para integrar o Parque D. Pedro II, o Mercado Municipal e o Palácio das Indústrias. A obra orçada em R$ 9,23 milhões será conduzida nos próximos seis meses pela Implosões Arcoenge, única empresa a disputar a licitação encerrada na segunda-feira. Para não abalar a estrutura do Mercadão, parte da demolição será manual. Um dos receios de urbanistas era de que o método da implosão simultânea dos prédios pudesse comprometer o conjunto de vitrais alemães do Mercado - são 32 painéis que retratam o trabalho manual do colono na colheita e na criação de gado. O projeto da Prefeitura para a região, uma das mais degradadas do centro velho, inclui a construção de equipamentos culturais no subsolo da futura praça, como livrarias e um auditório. Ao todo, o projeto está estimado em R$ 90 milhões. A ordem de serviço para o início da obra terá início após a celebração do contrato entre a empresa e o governo, o que deve ocorrer nas próximas semanas. A Defensoria Pública do Estado, contudo, diz que vai entrar com uma ação para impedir a demolição. Segundo o defensor Carlos Loureiro, o Plano Diretor de 2002 prevê a construção de moradias populares na região. Parte da área dos dois prédios está em espaço definido como Zona Especial de Interesse Social (Zeis), cuja diretriz prioriza a construção de moradias populares. "Também vamos manter a luta pelo atendimento dos ex-moradores. Consideramos que indenizações de R$ 10 mil não são suficientes para adquirir outro imóvel no centro", disse Loureiro. O governo informou que não existe impedimento jurídico para a implosão. "Caso a municipalidade, após o trâmite por todas as instâncias judiciais, seja vencida, ainda assim a obrigação será resolvida em pecúnia, via precatórios", informou a administração, sobre ações de ex-moradores.

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