Prefeitura discute fechamento de lojas na Pacaembu, em SP

Lojistas e prestadores de serviços da Avenida Pacaembu e o Sindicato dos Empregados no Comércio de São Paulo esperam para essa semana uma reunião com a prefeita Marta Suplicy. Na pauta, um assunto polêmico: o fechamento de 30 estabelecimentos comerciais irregulares na região, 28 deles na Avenida Pacaembu e dois na Praça Charles Miller, zona oeste. O pedido de fechamento dessas lojas partiu do Movimento Defenda São Paulo e das Associações Viva Pacaembu por São Paulo e Associação dos Moradores e Amigos do Pacaembu, Perdizes e Higienópolis. As entidades entraram com uma representação no Ministério Público Estadual(MPE) em março. A Subprefeitura da Sé - que cuida de um lado da avenida - vai encaminhar até sexta-feira ao MPE a lista das irregularidades encontradas nesses comércios. Ienides Benfati, de 58 anos, presidente da Viva Pacaembu por São Paulo, afirmou que as entidades levantaram a situação de 145 imóveis que funcionam como comércio na avenida e chegaram à conclusão de que 30 estabelecimentos têm de ser fechados porque estariam desrespeitando a lei de zoneamento. Os demais, de acordo com a entidade, apresentam irregularidades administrativas, mas não estão descumprindo a legislação. Com cerca de 2 quilômetros, a Avenida Pacembu é um corredor especial, onde é possível mesclar alguns tipos de serviços com imóveis residenciais. Fechamento por razões éticas e urbanísticas As entidades que querem o fechamento do comércio irregular se baseiam em dois pontos: o ético e o urbanístico. O problema ético está no fato de que os comerciantes conseguiram se manter na região com pagamento de propina aos fiscais nos últimos anos. "Se a Prefeitura anistiar esses comerciantes vai premiar os que estão atuando dentro da lei", criticou a presidente. Do ponto de vista urbanístico, as entidades alegam que o bairro está degradado porque o comércio produz um fluxo de carros que a região não comporta. Levantamento da comunidade apontou que, comparativamente, estabelecimentos de serviços atraem um carro para a região, enquanto as lojas atraem 10 veículos. "O Pacaembu não comporta mais isso", disse a presidente. Regina Monteiro, do Movimento Defenda São Paulo, destacou ainda que comércio irregular diminui a permeabilidade do solo, já que os jardins são destruídos para a construção de estacionamentos. "E o comércio tem necessidade de carregar e descarregar as mercadorias, o que traz caminhões. A nossa luta é pelo cumprimento da lesgislação e pela qualidade de vida", ponderou. Roberto Marques, vice-presidente da Associação Comercial e dos Prestadores de Serviço da Pacaembu, disse que os comerciantes vão lutar para permanecer abertos. Ele discorda dos motivos apresentados pela comunidade. "A avenida Pacaembu é uma via de ligação da cidade. É má-fé ou equívoco acreditar que somos nós os responsáveis pelo tráfego na avenida." DemissõesO vice-presidente disse que as acusações de pagamento de propopina têm de ser provadas. "Nós nunca aceitamos negociações imorais e consideramos isso uma calúnia", afirmou. Na avaliação dele, o fechamento das lojas vai provocar cerca de 2 mil demissões. Essa é a mesma posição do Sindicato dos Empregados no Comércio de São Paulo. "O que os moradores não entendem é que vão causar demissões. Eles têm a visão imobiliária do bairro e nós temos a social", afirmou o vice-presidente do sindicato, Ricardo Patah. Fechamento pode causar degradação da áreaO comércio irregular no Pacaembu foi a gota d´água para que a psicóloga Cássia Fellet, de 45 anos, fosse destituída do cargo de presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Pacaembu, onde atuou durante três anos. Ao contrário da direção de outras entidades, esta paulistana que trabalhou no projeto de revitalização da Av. Angélica sempre se colocou contra o fechamento do comércio na Av. Pacaembu. "O meu trabalho e a minha posição incomodaram interesses de pessoas poderosa", afirmou a presidente, que foi destituída em maio, depois de se posicionar contra o fechamento. O fechamento das lojas vai causar desemprego que é um mal maior. Além disso, a cidade mudou e a avenida perdeu as características de área residencial. Esses imóveis vão ficar fechados e a Pacaembu ficará tão degradada quanto a Av. Santo Amaro, explicou. A psicóloga defende que se discuta o que é melhor para o bairro e não que alguns grupos atuem de acordo com seus interesses próprios. ?O Movimento Defenda São Paulo tornou-se comprometido com políticos e não com os moradores?, diz. Cássia diz que está avaliando a situação da associação e que já recebeu vários convites de moradores para voltar, ou mesmo fundar uma nova associação. ?O que quero é dar uma satisfação pública para a comunidade com que trabalhei e desenvolvi vários projetos?, afirma.

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