Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Prefeitura do Rio investiga suposto superfaturamento na Transcarioca

Foram realizadas inspeções em dez estações do BRT ao longo dos 39 quilômetros; suspeita é de prejuízos de cerca de R$ 15 milhões

Marcio Dolzan  , O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2018 | 09h59
Atualizado 16 de outubro de 2018 | 17h34

Correções: 16/10/2018 | 17h34

RIO  - A Prefeitura do Rio abriu investigação para apurar supostas irregularidades na construção da pista do BRT Transcarioca, uma das obras de mobilidade urbana construídas por ocasião do projeto olímpico. A suspeita é de prejuízos de cerca de R$ 15 milhões.

De acordo com a atual administração municipal, foram realizadas inspeções em dez estações do BRT ao longo dos 39 quilômetros da Transcarioca. Nos locais teriam sido constatadas irregularidades relacionadas a superfaturamento e/ou falhas no cumprimento do projeto original. O levantamento aponta ausência de material como concreto, ferro e malha de aço.

O processo de investigação deve durar sete dias, e o relatório será encaminhado ao Ministério Público do Estado. Ele foi aberto a partir da delação premiada do ex-secretário municipal de Obras do Rio Alexandre Pinto. Ele admitiu ter recebido 3% de propina em contratos da Prefeitura, entre eles a Transcarioca. Na última semana, a 7ª Vara Federal Criminal do Rio condenou o ex-secretário a 23 anos, 5 meses e 10 dias de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro.

Segundo a prefeitura, as construtoras Andrade Gutierrez, OAS, Carioca Engenharia e Conter, envolvidas na construção do BRT Transcarioca, serão convocadas para prestar esclarecimentos. A Andrade Gutierrez informou, em nota, que "apoia toda iniciativa de combate à corrupção, e que visa a esclarecer fatos ocorridos no passado", mas não comentou o caso específico. "A companhia assumiu esse compromisso público ao pedir desculpas em um manifesto veiculado nos principais jornais do país e segue colaborando com as investigações em curso dentro do acordo de leniência firmado com o Ministério Público Federal. A empresa incorporou diferentes iniciativas nas suas operações para garantir a lisura e a transparência de suas relações comerciais, seja com clientes ou fornecedores, e afirma que tudo aquilo que não seguir rígidos padrões éticos será imediatamente rechaçado pela companhia", diz a nota.

Já a Carioca Engenharia e a OAS informaram que não comentariam a investigação da Prefeitura do Rio. O Estado aguarda posicionamento da empreiteira Conter, e do ex-prefeito do Rio e candidato ao governo do Estado, Eduardo Paes (atualmente no DEM).

Correções
16/10/2018 | 17h34

A nota publicada às 9h59 continha uma informação errada, passada pela assessoria de imprensa da Prefeitura do Rio. As construtoras Camargo Corrêa e Odebrecht não participaram do consórcio construtor da Transcarioca, linha de BRT (Bus Rapid Transit, linhas de ônibus articulados em corredores exclusivos) que liga a Barra da Tijuca, na zona oeste, ao Aeroporto do Geleão, na zona norte. Segundo a Prefeitura carioca, o consórcio construtor da Transcarioca foi formado pelas empreiteiras Andrade Gutierrez, OAS, Carioca Engenharia e Conter, e não por Camargo Corrêa e Odebrecht, como informado inicialmente.

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