Prefeitura do Rio pede para população permanecer em lugar seguro

Defesa Civil já confirmou 32 mortes; para o prefeito Eduardo Paes, cidade vive um momento 'muito ruim'

Solange Spigliatti, do estadão.com.br, e Bruno Boghossian, da sucursal do Rio

06 de abril de 2010 | 07h48

 

SÃO PAULO/RIO - A Prefeitura do Rio assumiu a responsabilidade pelo caos provocado pelo temporal que cai na cidade do Rio há mais de 15 horas. O prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes (PMDB), pediu que a população não saísse de casa para que as equipes de resgate e conservação possam se deslocar pelo município. Em nota oficial, Paes recomendou que a população evite grandes deslocamentos principalmente em direção ao centro.

 

Já chega a 32 o número de mortes confirmadas desde a noite desta segunda-feira, 5. No início da manhã desta terça, 13 mortes haviam sido confirmadas e, segundo informações do Corpo de Bombeiros, o número pode triplicar ao longo do dia. Outras 58 pessoas foram resgatadas com vida e pelo menos 39 estão desaparecidas.

 

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"Todos os pontos da cidade estão alagados. Não adianta tentar chegar ao centro da cidade. Nosso apelo é que as pessoas não saiam de casa e se preservem até que possamos resolver a situação", afirmou em entrevista à TV Globo.

 

De acordo com o prefeito, a maior preocupação das autoridades é com moradores de áreas de risco. A Defesa Civil municipal entrou em estado de atenção às 17h de ontem e manteve as equipes nas ruas. "Temos cerca de 2 mil domicílios em situação de risco e essa é uma situação de risco até que a chuva melhore. O que mais nos preocupa é a perda de vidas humanas", afirmou o prefeito.

 

Segundo ele, a cidade vive uma "situação muito crítica" e "absolutamente atípica", com a conjugação das fortes tempestades com a maré alta. "Para vocês terem uma ideia, a Lagoa Rodrigo de Freitas, em geral, tem 50 centímetros. Hoje está com 1,40m. Ou seja, quase três vezes a altura normal", declarou. O prefeito afirmou haver uma preocupação grande com deslizamentos e criticou quem se opõe aos reassentamentos de moradores de áreas ameaçadas.

 

"O Rio de Janeiro, infelizmente, tem esse problema", afirmou. "Temos 10 mil domicílios em situação de risco na cidade. Me permitam um comentário aqui, mas são aquelas áreas em que toda vez em que a gente chega e vai tentar reassentar, os demagogos de plantão aparecem, e agora, na hora da chuva só aparecem os serviços públicos", declarou. Para Paes, o Rio vive no momento uma situação "muito ruim".

 

Circulação

 

Algumas das principais vias da cidade ficaram completamente alagadas desde o início da noite de ontem e a chuva que continua a cair durante a manhã impedem o escoamento total. A Ponte Rio-Niterói teve que ser interditada devido às enchentes. A Avenida Niemeyer - que liga a Barra da Tijuca, na zona oeste, ao Leblon, na zona sul - está interditada devido a um deslizamento. A Praça da Bandeira, na zona norte, e a Rua Jardim Botânico, na zona sul, permanecem debaixo d'água.

 

"Nós não sabemos se chegamos ao pior momento. Enquanto a chuva persistir, dificilmente a situação de alagamentos vai mudar", disse Paes.

 

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro suspendeu as atividades em todo o Estado. A prefeitura recomendou ainda que fossem suspensas as aulas na rede municipal de ensino. A rede estadual de ensino também cancelou as aulas e as autoridades pedem às escolas particulares que também suspendam as atividades.

 

Ponte Rio-Niterói permanece fechada devido às chuvas

 

Trens

 

As chuvas também provocaram a alteração na circulação da rede ferroviária da cidade por medida de segurança e o fechamento de algumas estações.

 

Segundo nota da SuperVia Concessionária de Transporte Ferroviário, a circulação foi alterada nos ramais Deodoro, entre as estações Deodoro e São Francisco Xavier; Santa Cruz, entre as estações Santa Cruz e São Francisco Xavier; Japeri, entre as estações Japeri e São Francisco Xavier; Belford Roxo, entre as estações Belford Roxo e Triagem; e o Ramal Saracuruna teve a circulação suspensa.

 

De acordo com a Supervia, as estações Central do Brasil, Praça da Bandeira, São Cristóvão, Maracanã e Mangueira estão fechadas temporariamente. Além disso, todas as viagens estão registrando atrasos médios de 15 minutos. Os passageiros estão sendo informados das alterações pelo sistema de som das estações.

 

Obras

 

O secretário municipal de Conservação, Carlos Roberto Osório, reconheceu a necessidade de realizar reformas nos sistemas de drenagem da cidade para evitar novos transtornos. "Não há sistema de drenagem que dê jeito à chuva que caiu no Rio desde ontem, mas precisamos de algumas reformas estruturais."

 

As obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no túnel Zuzu Angel foram canceladas nesta segunda-feira, 5. Muitos motoristas ficaram retidos no trânsito no local por causa das chuvas. Por conta do incidente, a CET-Rio cancelou a interdição que seria feita hoje, a partir da meia-noite, em ambos os sentidos do Túnel Zuzu Angel.

 

Texto atualizado às 10h05.

 

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