Prefeitura estuda tomar das escolas o controle dos desfiles

Secretário carioca fala em licitação para serviços e até em mudanças no júri

Alexandre Rodrigues, RIO, O Estadao de S.Paulo

09 Fevereiro 2009 | 00h00

A Prefeitura do Rio pode acabar em 2010 com a hegemonia da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) na administração do desfile do Grupo Especial. Obrigado a cumprir o contrato de concessão da administração da Passarela do Samba firmado entre a Liesa e a gestão anterior em 2008, o novo secretário municipal de Turismo do Rio, Antonio Pedro Figueira de Mello, diz que pretende aperfeiçoar o contrato e poderá instituir uma licitação para contratar os serviços no próximo ano.Quase dois anos depois de a Polícia Federal prender integrantes da cúpula da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) por suspeita de envolvimento com a máfia de jogos ilegais, as recomendações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara que investigou a relação da associação com a prefeitura foram ignoradas. Continua valendo este ano um contrato similar ao de 2007, criticado pelos vereadores. Pelas estimativas da CPI, a Liesa arrecada pelo menos R$ 100 milhões. Cerca de 40% desse total vem dos ingressos - e só 6% acaba repassado ao governo municipal.LICITAÇÕES"A prefeitura dá um cheque em branco para a Liesa e não há controle eficiente sobre como esse dinheiro é gasto", diz a vereadora Teresa Bergher (PSDB), que presidiu a CPI. Ela se queixa de o Tribunal de Contas do Município (TCM) não ter auditado as contas da Liesa, conforme recomendação dos vereadores, que enviaram um relatório ao Ministério Público.Apesar de Eduardo Paes (PMDB) se mostrar favorável à manutenção da Liesa à frente do desfile antes da eleição do ano passado, o secretário de Turismo, que acumula a presidência da Riotur, diz que agora a ordem do novo prefeito é cumprir o contrato deste ano com atenção especial. Figueira de Mello é simpático à licitação de serviços hoje concentrados na Liesa, que vão da cronometragem às estruturas temporárias, passando pela sonorização, alimentação e recrutamento de jurados - também alvo de controvérsia. "É preciso ter clareza, transparência", opinou o secretário. Cauteloso, ele adverte que uma decisão, até a de não mudar nada, só virá depois do carnaval. Procurado pelo Estado, o presidente da liga, Jorge Castanheira, alegou estar ocupado com reuniões e não retornou os contatos.

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