Prefeitura fará piscinão no centro

Obra, que inclui Praça 14 Bis e Avenida 9 de Julho, causará mudança no terminal de ônibus da Praça da Bandeira

Vitor Sorano, O Estadao de S.Paulo

16 Julho 2009 | 00h00

Reformado no ano passado para a melhoria da fluidez de trânsito na região central, o terminal de ônibus da Praça da Bandeira, no centro de São Paulo, terá de mudar provisoriamente de local para a construção de um piscinão contra cheias. A medida integra um conjunto de obras de drenagem para o Vale do Anhangabaú que teve a licitação lançada ontem. As empresas interessadas têm até 31 de agosto para apresentar propostas e, após todos os trâmites e a determinação de início das obras, os trabalhos deverão ser concluídos em dois anos. Também está previsto um reservatório sob a Praça 14 Bis e a reforma das galerias da Avenida 9 de Julho, que liga as duas áreas. Como meta principal, destaca-se a tentativa de acabar com as cheias na região do Túnel do Anhangabaú. As praças e a avenida estão entre os 93 pontos em que o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) registra alagamentos recorrentes. Localizadas na bacia do Anhangabaú, estão sujeitas ao fenômeno denominado flash flood (enchente rápida). "Pouca quantidade de chuva já é suficiente para causar inundação, por causa do relevo íngreme", afirma Aloísio Canholi, engenheiro com livros publicados sobre drenagem urbana e enchentes. "Amortecer a enxurrada próximo de onde ela ocorre é correto em qualquer escala - desde os piscinões até as chamadas piscininhas em condomínios, por exemplo", completa André Reda, da Universidade Mackenzie e da Escola de Engenharia Mauá. Localizado no centro de São Paulo, o terminal abriga 22 linhas de ônibus, que atendem principalmente a zona sul (Campo Belo, Jardim Paulista e Moema, por exemplo). Pela praça passam 96 mil pessoas diariamente. A São Paulo Transporte (SPTrans), responsável pela administração do sistema de ônibus coletivo no Município, diz que as intervenções ocuparão o "miolo" do terminal. Os pontos de ônibus dessa área serão remanejados para as laterais, mas ainda dentro do terminal. Já o edital da licitação adianta que "estruturas, pisos, acessos e equipamentos existentes nesse terminal, que interferirem com as obras do reservatório, serão removidos e reconstituídos após a execução do reservatório". A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) também informou que as obras não ocuparão de uma só vez a estrutura, de quase 20 mil metros quadrados. "O terminal continuará a funcionar. As obras serão em etapas." Mas quem utiliza o Terminal Bandeira todos os dias já adianta que qualquer transferência de linhas de ônibus causará impactos. "Se (o ponto) mudar para qualquer outro lugar, terei de pegar mais de dois ônibus para chegar em casa", diz a copeira Maxilene Oliveira, de 31 anos. E mesmo quem não espera ser afetado pela mudança não concorda. "Existem locais na mesma região que, apesar de próximos do terminal, complicariam o trajeto dos ônibus. A localização atual é muito boa e permite a conexão de linhas para vários outros terminais de ônibus", avalia o estudante Rodrigo Borges, de 20 anos. "Os itinerários não podem mudar muito. Mesmo um trecho pequeno pode fazer grande diferença para quem pega ônibus à noite ou de madrugada. Caminhar alguns metros a mais expõe o usuário à insegurança do centro da cidade", argumenta o ator Sérgio Lista Júnior, de 45 anos.

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