Prefeitura loteia cargos por apoio na Câmara

A falta de acordo político para aprovar seus principais projetos na Câmara Municipal e o perigo de perder a presidência da Mesa Diretora está obrigando o Executivo a lotear cargos na administração pública entre vereadores de sua base aliada. Mas, diferentemente de outras administrações, o parlamentar tem antes de mandar um currículo do seu "indicado" para ser analisado pelo governo, que admitiu ontem a nova prática.Os pretendentes seriam indicados para 186 cargos de coordenadoria de subprefeitura e cerca de 10 postos de subprefeitos, que deixariam as vagas até o fim do ano. "A prefeita pede para a base de sustentação que, se for nomear, mande o currículo do pretendente para ser analisado", afirmou ontem o vereador Viviani Ferraz (PL). De acordo com ele, os documentos deveriam ser entregues para o ex-líder do governo José Mentor (PT), que os encaminharia para o governo fazer a sabatina. "O vereador Mentor disse que os currículos eram para ser entregues a ele", garantiu Viviani. Mentor negou ontem a informação. "Eu ignoro. Não tenho nenhuma informação e não recebi nenhum currículo", contou o ex-líder. Como o PL lançará o vereador Antônio Carlos Rodrigues (PL) para a disputa da presidência da Casa, Viviani alertou que neste momento o partido não fará indicações. "Nós vamos eleger o vereador Carlinhos." O loteamento de cargos foi confirmado também por outros parlamentares, que não quiseram se identificar. De acordo com eles, a estratégia do Palácio das Indústrias é angariar votos para o seu candidato à presidência da Casa - o mais cotado é o líder do governo, Arselino Tatto (PT) - e conseguir votos para projetos prioritários. Entre eles está a aprovação da nova sede da Prefeitura, no Edifício Patriarca, conhecido como Banespinha, a anistia de construções irregulares e o código de obras. "Recebi o convite (para fazer a indicação), mas não vou indicar", disse um parlamentar da base aliada. "Apesar das ofertas do Executivo, a base está unida (em torno da candidatura de Rodrigues)." Segundo o vereador Toninho Paiva (PL), a base "tem de caminhar para um espaço no governo". O loteamento de cargos, ou participação, como prefere o PT, é uma reivindicação antiga dos aliados. "Os vereadores da base se sentem marginalizados. Fizemos essa reivindicação para o Mentor e ele levaria para a prefeita", contou Viviani. O líder do governo, vereador Arselino Tatto, disse ontem que "ainda não foi batido o martelo" sobre a questão, mas que acha justo que os vereadores mandem currículos das pessoas que vão indicar. "Isso é o mínimo para você fazer uma análise da pessoa que quer trabalhar na administração. O PT sozinho não consegue governar", frisou o líder, que disse não ter recebido nenhum currículo. Ontem, novamente por falta de acordo político, nenhum projeto foi aprovado.

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