Prefeitura mira na periferia

Novas faixas devem interligar parques e ruas da cidade

Renato Machado e Valéria França, O Estadao de S.Paulo

13 Agosto 2009 | 00h00

São Paulo terá 45 quilômetros de ciclovias, faixas e pistas compartilhadas em três regiões da periferia da capital até o fim do próximo ano. Esse é o início da implementação da infraestrutura viária para o trajeto de bicicletas como meio de transporte, promessa do plano de metas do prefeito Gilberto Kassab. E para quem usa a bicicleta como lazer a Secretaria de Esportes abre no último domingo do mês (dia 30) um percurso que interliga os Parques do Povo, da Bicicleta e do Ibirapuera, localizados na zona sul, com 5 quilômetros. Hoje, a cidade tem apenas 9 quilômetros de ciclovias e registra 304 mil viagens diárias de bicicletas. "A aprovação dessas obras indica uma mudança positiva no cenário", diz André Pasqualine, de 35 anos, cicloativista e presidente do Instituto Ciclobr. Em julho, as ciclovias deixaram de ser uma competência da Secretaria do Verde. "Elas passaram para a Secretaria de Transportes, mais habilitada para provocar transformações na infraestrutura viária da cidade", explica Laura Cineviva, ex-coordenadora do Pró-Ciclista, um grupo criado em 2006 para reunir várias secretarias do Município em ações interligadas. A ciclovia para ligar os parques funcionará todos os domingos, durante dois meses, em caráter experimental. "É um teste para depois expandirmos o trajeto de 5 quilômetros para 22 quilômetros e então interligar nove parques da cidade", diz Walter Feldman, secretário de Esportes do Município. "Antes da inauguração, vamos mostrar o trecho para cicloativistas." Três regiões da periferia - Grajaú, na zona sul, Jardim Helena, na leste, e Jardim Brasil, na zona norte, receberão 45 quilômetros de faixas para bicicletas, previstas para o segundo semestre de 2010, e mais 55 quilômetros em 2012. As obras começam até dezembro. "São trechos ainda curtos, distantes do ideal, que seria a construção de um plano de ciclovias para toda a cidade", diz Pasqualine. "Sem interligações, elas não resolvem o problema. Mesmo assim, servem para ensinar a CET a lidar com o ciclista." Laura vai além: "Ajuda numa mudança de hábitos do paulistano. Vale lembrar que as ciclovias de Bogotá (na Colômbia) ficaram vazias até o governo promover uma campanha."

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