Prefeitura não tem prazo para recuperar lago da Aclimação

Empresa contratada emergencialmente deve apresentar hoje as causas do esvaziamento

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

25 Fevereiro 2009 | 00h00

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), não estabeleceu ontem um prazo para a conclusão das obras de recuperação do lago artificial do Parque da Aclimação, na região central, esvaziado na tarde de anteontem após o rompimento da parte inferior do vertedouro - sistema hidráulico para regular o nível de água. Em visita ao parque, Kassab informou, no entanto, que os trabalhos serão executados no menor tempo possível. Sem divulgar valores, o prefeito também anunciou a contratação, em caráter emergencial, da Épura Engenharia. A empresa deve apresentar hoje à Prefeitura um diagnóstico com o motivo do rompimento do vertedouro. "Pode ter sido desgaste do próprio material ou que o tampão do vertedouro não tenha suportado o alto volume de chuvas. A parte inferior do extravasador foi levada pela água", disse Kassab. Em torno de uma hora, os 70 milhões de litros de água, suficientes para encher 30 piscinas olímpicas, foram drenados para o Rio Tietê. O vertedouro tem 70 anos, a mesma idade do parque. Kassab descartou a possibilidade de o acidente estar relacionado à falta de manutenção porque limpezas rotineiras são realizadas. Os serviços terceirizados são prestados pela Deai. No site da empresa, estão descritos os trabalhos executados no parque: corte de grama, manejo de mudas, poda de árvores, limpeza do lago e dos banheiros. Não há uma empresa responsável pela manutenção do vertedouro. "Até porque não havia indícios de problemas", disse Hélio Neves, chefe de gabinete da Secretaria do Verde e Meio Ambiente (SVMA). Ele não soube dizer quando foi feita a última manutenção. A quebra do equipamento também não estaria relacionada às recentes obras. Há um mês, foi instalada a recirculação do lago, que custou cerca de R$ 170 mil. Desde anteontem, mais de 200 peixes e cerca de 40 aves aquáticas foram retirados do lago e transferidos para o Parque do Ibirapuera, onde ficarão até a conclusão dos reparos. Até as 19 horas de ontem, só a fêmea de um cisne negro resistia às inúmeras tentativas de captura e continuava no lodaçal. Os cisnes importados são os animais mais raros do parque. A Secretaria do Verde não sabe o número de animais que viviam no lago. Eram garças, marrecos, gansos, cisnes, cágados e peixes. Muitos animais, principalmente peixes, morreram ou foram levados por um redemoinho até o Córrego da Pedra Azul, que desemboca no Rio Tamanduateí, que, por sua vez, segue para o Rio Tietê. Muitos moradores do bairro ajudaram no resgate. A dona de casa Maria Rodrigues da Silva, de 50 anos, frequentadora há 30, retirou três gansos da lama. "A secretaria e os policiais ficaram de braços cruzados. A Prefeitura constrói tantas obras no parque e se descuidou do lago." Após a recuperação do equipamento, o lago será limpo. A lama já chega a um metro. A falta de água deixou visível a enorme sujeira do lugar. São pneus, potes plásticos, garrafas de vidro, pedaços de madeira e até um carrinho de feira. Segundo o prefeito, a sujeira, no entanto, não teve influência na quebra do vertedouro. A troca de água era feita rotineiramente. Sem a cobertura de água, o mau cheiro deve se intensificar, uma vez que sobram lodo e peixes mortos.

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