Prefeitura nega irregularidade em licença de shopping onde seis pessoas morreram afogadas

A Secretaria Municipal de Urbanismo do Rio de Janeiro divulgou relatório que concluiu não haver qualquer irregularidade no licenciamento do Penha Shopping, onde seis pessoas morreram afogadas depois de um temporal que alagou o estacionamento subterrâneo, há uma semana. O documento, publicado no Diário Oficial do município nesta sexta-feira, diz que "a inundação parece ter acontecido em decorrência direta do transbordamento do rio Escorrimão, em função de uma precipitação de intensidade excepcional". O processo de construção do prédio onde funciona o centro comercial foi longo. A licença foi concedida em 1961. Em 1963, a obra foi embargada porque havia destruído uma galeria pluvial que ficava sob o terreno. A galeria foi refeita e o problema foi considerado solucionado. Mas, para o Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo (Crea), uma garagem subterrânea não poderia ser instalada a menos de 30 metros de um rio, já que isso contraria as legislações federal e estadual. Segundo o relatório, no entanto, a alegação do Crea é "totalmente improcedente" - não se trata de um rio, informa o documento, e sim de "uma galeria pluvial, encanada". A permissão para a construção naquele ponto saiu na década de 60, antes, portanto, de surgir a lei que proíbe a edificação sobre cursos d´água, de acordo com esclarecimentos da prefeitura. O prédio ficou abandonado desde que foi erguido até 1998, quando foi ocupado pelo shopping. As mortes no estacionamento foram provocadas pelo alagamento súbito do espaço. A água da chuva e do rio Escorrimão que se acumulou do lado de fora da garagem ficou retida pela porta de aço que o shopping instalou para evitar possíveis inundações. A estrutura acabou sendo arrancada pela água. Um funcionário e cinco pessoas que estavam na rua se afogaram. Duas famílias já anunciaram que irão processar a administração do estacionamento. O advogado Leonardo Amarante, que representa a família de Maria Ângela Silva de Araújo, 34 anos, uma das vítimas, disse que solicitará uma perícia independente do local, por considerar que a prefeitura, o shopping e a administração do estacionamento são responsáveis pelo que houve. Sol Depois de uma semana de chuvas, voltou a fazer sol nesta sexta-feira no Rio de Janeiro. A reviravolta no clima foi tamanha que em alguns bairros houve variação de temperatura de até sete graus de quinta para sexta-feira (como em Santa Cruz, na zona oeste). A frente fria que estava estacionada no Estado se dissipou. O calor deve continuar pelo menos até a segunda-feira, prevê o Instituto Nacional de Meteorologia. Ainda há possibilidade de chuvas na noite desta sexta-feira, por conta de uma área de instabilidade (especialmente na região oeste, a mais atingida pelos últimos temporais). Em uma semana, 18 pessoas morreram soterradas, afogadas ou eletrocutadas.

Agencia Estado,

03 Fevereiro 2006 | 23h10

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