Prefeitura pede auditorias em ONG

Apesar disso, secretário diz duvidar que padre desvie verba pública

Camila Viegas-Lee, O Estadao de S.Paulo

28 Outubro 2007 | 00h00

Antes mesmo da prisão do ex-interno da Febem Anderson Batista e de suas acusações contra o padre Júlio Lancellotti, a Prefeitura já tinha definido a realização de uma auditoria especial no Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto. A entidade, da qual o sacerdote é conselheiro, tem 35 convênios com o Município. Apesar da medida, o secretário de Assistência Social, Floriano Pesaro, disse que, ''''se houve desvio de dinheiro (por parte do padre, para pagar a suposta extorsão praticada por Batista), foi de doações privadas''''. O secretário fez a afirmação ao Estado na sexta-feira em Nova York, onde visitou serviços para moradores de rua. Ele disse que o repasse de verbas para entidades sociais é controlado tanto pelo Município quanto por auditorias externas. ''''Mas, diante das reportagens veiculadas e diante da afirmação do padre de que recebe R$ 1 mil da Bom Parto, estamos solicitando ao Tribunal de Contas do Município uma tomada de contas especial da organização'''', disse Pesaro. ''''E solicitamos à Secretaria de Finanças uma auditoria especial dos 35 convênios que a Bom Parto tem com a Prefeitura, para que haja maior segurança nas contas que têm sido apresentadas.'''' Como conselheiro da Bom Parto, o padre não deveria receber dinheiro. CONTAS REVISADAS A supervisão financeira das ONGs apoiadas pela Prefeitura é feita mensalmente por meio de relatórios e apresentação de notas fiscais. Uma vez a cada três meses, a Prefeitura revisa essas contas e sugere às ONGs que se submetam a auditorias externas e apresentem resultados em balanços trimestrais. A empresa que audita as contas da Bom Parto é a BKR-Lopes, Machado. Para Pesaro, ''''o trabalho da Bom Parto, no geral, é bom''''. ''''Eles são organizados e têm competência técnica. O pior serviço deles é com a população de rua, porque é feito em local inapropriado, debaixo de um viaduto, e não trabalha a auto-estima, o que estimula pessoas a permanecerem na rua. Mas os serviços com crianças abandonadas, famílias carentes e núcleos educativos são bons.'''' A BKR informou que não comenta assuntos de clientes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.