Prefeitura prevê para fevereiro ações para acelerar a Nova Luz

Pacote inclui a reurbanização de 16 vias e incentivos fiscais a empresas; quem já foi para lá está insatisfeito

Daniel Gonzales, O Estadao de S.Paulo

27 de janeiro de 2009 | 00h00

A Prefeitura de São Paulo prevê para fevereiro três ações que têm como objetivo acelerar o sonolento Projeto Nova Luz, na Cracolândia, no centro da capital. Será lançado um pacote de obras de reurbanização e reforma de 16 vias comerciais na região e a administração municipal finaliza a concessão de incentivos fiscais a 16 das 23 empresas selecionadas para se instalar na área. Além disso, deve ser implementado o modelo de concessão urbanística, para facilitar as desapropriações.Até hoje, do projeto original, que tinha como objetivo transformar a área da Cracolândia em polo cultural, econômico e tecnológico, apenas dois quarteirões tiveram seus imóveis desapropriados e demolidos, e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) transferiu sua sede para a região.A primeira ação está prevista para o dia 5, quando, depois de cinco adiamentos que consumiram mais de um ano de espera, a Prefeitura oficializa os incentivos fiscais a 16 das 23 empresas selecionadas há 13 meses para se instalar na região. São esses documentos que garantirão oficialmente que as instituições das áreas de tecnologia, comunicação, call centers e imobiliárias receberão descontos de impostos municipais para operar na Nova Luz. As empresas terão até dez anos para investir na região, mas a reportagem apurou que várias têm interesse em se estabelecer no centro em poucos meses.Quanto à reurbanização das 16 vias, uma empresa contratada pela Prefeitura, a Contracta Engenharia, tem ordem de serviço para iniciar a reforma das ruas e avenidas, com previsão até de instalação de "vias técnicas", com cabeamento de internet de alta velocidade e fibra ótica (mais informações ao lado).Já a concessão urbanística é um mecanismo que será usado pela primeira vez no País. Previsto no Plano Diretor da Capital, o modelo transfere à iniciativa privada, mediante licitação, a prerrogativa de comprar terrenos e imóveis, mesmo ocupados, e executar as desapropriações mediante pagamento a eventuais proprietários.Em contrapartida, as empresas ou consórcios vencedores deverão ajudar a Prefeitura a executar melhorias urbanísticas na Nova Luz e ficarão responsáveis por construir os futuros edifícios-sede da Companhia Municipal de Processamento de Dados (Prodam) e de outro órgão da Prefeitura a ser definido, na Rua dos Gusmões.INSATISFAÇÃOPor enquanto, apenas duas das empresas selecionadas já foram para a região. Não receberam nenhum dos incentivos prometidos e estão insatisfeitas com a lentidão do programa. "Mudei de Santana do Parnaíba (Grande São Paulo) para cá há um ano e, até agora, posso dizer que só quebrei a cara", reclama Carlos Alberto Viceconti, proprietário da DigiSign, empresa de software que tem sete funcionários. Segundo Viceconti, eles sofrem com a insegurança na região e não trabalham até tarde por causa do risco de assaltos.Na agência de publicidade Fess?Kobbi, a primeira a se mudar para a Rua do Triunfo, há 3 anos, o sentimento é o mesmo. "Ainda não recebemos nada, nem satisfação", afirma a diretora administrativa, Celene Marrega. A empresa investiu R$ 1 milhão na mudança da sede. "Você vê gente carregando uma geladeira nas costas para trocar por duas pedrinhas de crack", diz Celene. "E é constrangedor trazer um cliente aqui."

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