Prefeitura promete começar no mês que vem a demolir Cracolândia

Rebatizada de Nova Luz, região teve seus primeiros 50 imóveis desapropriados pelo poder público

Camilla Rigi, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2003 | 00h00

A antiga Cracolândia, região rebatizada de Nova Luz, no centro de São Paulo, começa a ir ao chão no mês que vem. A Prefeitura prepara o pregão para demolir os 50 imóveis que já foram desapropriados. "O projeto começa a tomar forma, porque são justamente os imóveis na área onde nós poderemos construir tanto a sede da Prodam (Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município) como a de uma secretaria ou da própria Subprefeitura (da Sé)", diz o secretário de Coordenação das Subprefeituras e subprefeito da Sé, Andrea Matarazzo. Os primeiros imóveis que já estão em posse da Prefeitura estão entre as Ruas General Couto de Magalhães, dos Protestantes e Mauá. A estimativa da Subprefeitura da Sé é de que existam 1.500 imóveis nos 270 mil metros quadrados de área decretada de utilidade pública. A primeira idéia depois da desapropriação total é dividir tudo em lotes e leiloá-los. Duas grandes construtoras já teriam manifestado interesse na área - a Odebrecht e um consórcio de empresas encabeçado pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), que encomendou um projeto ao arquiteto Jaime Lerner, ex-governador do Paraná. Segundo fontes do mercado imobiliário, a Odebrecht continua com grande interesse na região. Procurada pelo Estado, porém, a empresa não quis dar detalhes sobre seus planos para a Nova Luz. Já o Secovi não respondeu à solicitação de entrevista da reportagem. "Claro que (as empresas) têm interesse", garante o secretário. "Se você olha qualquer um desses projetos, a hora em que tira os prédios degradados, a área é lindíssima. Está do lado do Parque da Luz, da Rua José Paulino, da Rua Aimorés - que vale 80% do que vale a (Rua) Oscar Freire. Além da Sala São Paulo e da Pinacoteca do Estado. Vai ficar um bairro lindíssimo. É questão de olhar para frente." As empresas, porém, preferem aguardar para começar a investir na região. A construtora Tecnisa informou que mantém o interesse na Nova Luz, mas espera pelas novas ações da Prefeitura. Outras construtoras, como a Rossi e a Cyrela, também têm posições parecidas: enquanto as desapropriações dos imóveis não forem concluídas e não saírem as regras para divisões de lotes, não farão investimentos na área. Questionado sobre como deve estar a região ao final da gestão Kassab, em dezembro do próximo ano, Matarazzo é otimista. "Quero ver um bairro novo, multifuncional, com empresas e muita moradia, ou pelo menos o começo disso. Com as nossas construções e alguns prédios ocupados." O secretário admitiu que a reconstrução total da área é um processo que deve levar de três a quatro anos. PROBLEMAS Para concretizar o sonho, o secretário terá de tirar outras pedras do caminho. "Hoje tem muita sujeira na Rua Helvécia, entre a Dino Bueno e a Barão de Piracicaba", reconhece. "E tem um pouco de lixo à noite na Rua dos Protestantes, por causa dos carroceiros, além de alguns drogados, mas não na quantidade que existia." Ele é categórico ao afirmar que a Nova Luz não está maravilhosa, " mas está muito diferente do que era". O plano de acabar com o estigma da Cracolândia de um lugar sujo e perigoso, conta Matarazzo, surgiu antes mesmo de José Serra (PSDB) ser eleito prefeito, no fim de 2004. "Foi em uma das nossas visitas a alguns pontos da cidade que tivemos a idéia." Em 2005, Serra, ainda à frente da Prefeitura, lançou um plano de incentivos fiscais a quem se mudasse para a região. Na época, 12 quadras foram declaradas de utilidade pública. Este ano, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) ampliou o perímetro de desapropriação para 23 quadras.

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