Prefeitura prometeu reformas em 58 pontes e viadutos; só 11 começaram

Acordo com Ministério Público Estadual foi fechado há 5 meses; algumas licitações não tiveram interessados

Daniel Gonzales, O Estadao de S.Paulo

23 de dezembro de 2007 | 00h00

Cinco meses depois de a Prefeitura anunciar um pacotão para revitalizar e reformar 58 pontes e viadutos de São Paulo, só há 11 obras em andamento na capital - destas, seis fazem parte da lista, as outras começaram antes. Licitações abertas, mas que não atraíram interessados, e suspensão de um edital por problema de projeto adiaram pelo menos sete das reformas para 2008 - no Orçamento do ano que vem, R$ 30 milhões vão para essa área, ante R$ 23 milhões empenhados este ano.Antes de julho, quando foi assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a Prefeitura e o Ministério Público Estadual prevendo as 58 reformas, a Prefeitura já havia anunciado o cronograma de algumas obras. Foi em março, quando o governo municipal previa entregar, até o fim do ano, oito estruturas reformadas: as Ponte Engenheiro Roberto Zuccolo (antiga Cidade Jardim), Transamérica, João Dias e Cruzeiro do Sul, o Elevado do Glicério, Viaduto Antônio Abdo (antigo Conselheiro Carrão) e os Viadutos Carlos Ferraci e João Beiçola da Silva.As estruturas de Cidade Jardim e Glicério estão quase prontas, mas faltam obras no entorno da Cidade Jardim e asfaltamento no Glicério, que deve ser feito durante as férias. As outras, com exceção do Carlos Ferraci, que nem começou, estão em andamento. Apenas o Viaduto Carrão, inicialmente prometido para setembro, deve estar totalmente finalizado até a semana que vem.Segundo a Secretaria Municipal de Infra-Estrutura Urbana e Obras (Siurb), metade das reformas previstas no TAC consta de uma primeira fase do programa; o cronograma da outra metade deve ser fechado ainda este ano. Pelo termo, a Prefeitura tem dez anos para fazer as reformas.Das 11 obras em execução, quatro são de menor porte: nas Pontes Transamérica (zona sul), João Dias (na Marginal do Pinheiros), Tatuapé (na Marginal do Tietê) e Lagoa Aliperti, na Saúde (zona sul). Pela promessa, as três primeiras já tinham de estar prontas, mas a finalização só ocorrerá em fevereiro. "Como são obras menores, de substituição de juntas e aparelhos de apoio, vamos aproveitar o período de férias", diz o coordenador da Superintendência de Obras, Carlos Garbuio.As outras obras em andamento são mais complexas. Nos Viadutos Alberto Badra, Beneficência Portuguesa e Santo Amaro, haverá recuperação completa das estruturas, expostas após o choque de veículos e atacadas pela chuva. Prazo de conclusão: fim de 2008. No Viaduto do Café (centro), a estrutura será refeita. Deve ficar pronto em julho.Na reformas do Viaduto Carlos Ferraci,também prometida para 2007, a Prefeitura sofreu um forte revés: falta de interesse. A licitação foi aberta, mas não apareceu nenhuma empresa interessada nas reformas. O mesmo ocorreu com as recuperações das Pontes do Jaguaré e Viadutos Jacareí, Borges Lagoa e Domingos de Morais. Todos os procedimentos terão de ser relançados, o que consumirá tempo e aumentará os riscos para quem passa pelas pontes. "Como são obras de R$ 120 mil, R$ 130 mil, para o mercado não são atrativas, fica difícil", explica Garbuio.Quanto às obras já definidas pelo TAC, mas ainda não iniciadas, há, segundo a Siurb, outras reformas com contratos firmados cujos trabalhos começarão em janeiro ou fevereiro. São intervenções nos Viadutos Pacaembu (zona oeste), Florêncio de Abreu (centro) e João Beiçola (zona sul) e na Ponte do Piqueri (zona norte), além do fim da novela da Ponte do Limão (veja ao lado). A obra na Ponte Cruzeiro do Sul - que deveria terminar até segunda-feira - também tem contrato assinado, mas só começa em 2008. A Ponte da Freguesia do Ó (zona norte), da qual um pedaço se desprendeu atingindo um motoboy que passava pela Marginal do Tietê no início do mês, é outra que foi incluída no termo de urgência firmado com o Ministério Público, mas atrasou. A licitação foi suspensa por problemas técnicos e vai retornar ao setor de projetos da Siurb, devendo ser relançada apenas em março.LENTIDÃOEmbora elogiem e reconheçam a iniciativa da Prefeitura em fazer a manutenção das estruturas, especialistas na área apontam que a velocidade dos trabalhos ainda está muito aquém da desejada. "Demorou? Poderiam ter começado antes? As obras estão com menos recursos do que o desejável? A resposta é sim, para todas as perguntas. Mas pelo menos é um começo", avalia o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), José Roberto Bernasconi. Foi um estudo feito pelo Sinaenco, em 2005, que motivou o Ministério Público a cobrar serviços da Prefeitura.

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