Prefeitura quer 8 mil morando na Nova Luz

Meta é criar adensamento recorde, chegando a 350 habitantes/hectare

Diego Zanchetta e Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

02 Julho 2009 | 00h00

O edital para a contratação do projeto de concepção urbanística para a Nova Luz, lançado ontem, tem diretrizes que preveem o adensamento da região com mais 8 mil moradores. A densidade demográfica estimada para o bairro, hoje com cerca de 10 mil moradores, é de 350 habitantes por hectare após a revitalização. O índice é recorde se comparado com outros bairros de São Paulo. O distrito campeão hoje em adensamento também fica na região central: a Bela Vista, com 222 habitantes por hectare. Para o governo municipal, o modelo de "cidade compacta" se aplica à Nova Luz. O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalen, acredita que 18 mil pessoas possam morar na área alvo da intervenção - 362 mil metros quadrados no polígono que inclui as Avenidas Rio Branco, Ipiranga e Duque de Caxias e as Ruas Mauá e Cásper Líbero. "O bairro conta com uma excelente infraestrutura de transportes e pode ser adensado. Temos outras quadras e partes na cidade com índices até maiores. Mas no centro, com certeza, a Nova Luz será o mais adensado", afirmou o secretário. A paisagem que comerciantes e pedestres ainda observam pelas ruas da chamada Cracolândia, com dezenas de viciados espalhados pelas calçadas, contudo, não deve mudar tão cedo. "Se tudo ocorrer sem interrupção", segundo Bucalen, a contratação do escritório que vai fazer a concepção urbanística vai demorar dez meses. Depois é que será aberta a licitação para a contratação do consórcio que repaginará a área. O governo não divulgou valores ou previsão de término para o processo. "Ainda precisamos saber, com esse projeto de concepção, a estimativa adequada de quanto isso (concessão da Nova Luz) poderá render", argumenta Bucalen. REOCUPAÇÃO Dentro do objetivo de reocupar a Nova Luz, a gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) quer atrair incorporadoras que receberão incentivos fiscais estabelecidos para o projeto do governo federal Minha Casa Minha Vida. Com a redução de impostos, construtoras podem, por exemplo, reduzir de R$ 80 mil para R$ 55 mil o preço de imóveis financiados para quem ganha de 3 a 10 salários mínimos. A provável verticalização da região não significa que os atuais moradores serão desapropriados, diz o governo. "Uma das nossas diretrizes é fornecer fomentos para incentivar o morador a ficar. E queremos uma área que misture a ocupação residencial com comércios e serviços", acrescentou Bucalen. Ermínia Maricato, professora do Laboratório de Habitação da Faculdade de Arquitetura da USP, concorda com o adensamento, mas sem mudanças drásticas. "Adensar não significa passar o trator por cima só para ter um bairro mais fashion, que possa servir no futuro só para marketing político", avalia. As desapropriações também devem ser uma etapa custosa e demorada dentro da meta do adensamento. Segundo estudo de uma associação ligada à Fazenda Pública, feito há três anos, o custo do metro quadrado desapropriado da Nova Luz varia de R$ 500 a R$ 1.600. Cerca de 750 imóveis estão previstos para serem desapropriados em 23 quadras. O edital lançado ontem também ratifica a diretriz, incluída pela Câmara Municipal, que determina o fomento às atividades do polo tecnológico da Santa Ifigênia. No início do ano, quando o projeto passou a ser discutido, lojistas da região temiam ser desapropriados pelo futuro concessionário.

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