Prefeitura quer demolir prédio; peritos preferem não dar prazo

Especialistas iniciaram busca microscópica por fragmentos de corpos no local do acidente

Alexandra Penhalver, Fabiane Leite e Rodrigo Pereira, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2028 | 00h00

A Prefeitura de São Paulo quer demolir ou implodir o edifício de três andares da TAM Express atingido pelo Airbus da companhia, o que permitirá a desinterdição da Avenida Washington Luís, na frente do Aeroporto de Congonhas. Para a Prefeitura, é importante que a operação ocorra amanhã porque na segunda-feira, com a volta às aulas, o trânsito na região deve aumentar. A pista no sentido bairro da avenida está interditada desde o dia 17, data da tragédia. Ontem o assessoria do prefeito Gilberto Kassab (DEM) chegou a confirmar a destruição do prédio amanhã, mas depois disse que a liberação dependeria da Secretaria da Segurança Pública. Pelo menos oito pessoas que estavam no prédio morreram na hora do acidente. Outras 14 foram levadas para hospitais - quatro morreram. Foram retiradas do local 220 sacolas de fragmentos humanos. A Defesa Civil informou que precisava de uma posição da TAM sobre o que seria feito do edifício em ruínas - implosão ou destruição. BUSCAS Com auxílio de um aparelho que emite uma luz azulada - chamada de luz forense - e óculos especiais, dois peritos, dois legistas e três odontologistas procuravam ontem fragmentos microscópicos dos corpos das vítimas no meio dos escombros. "Provavelmente ainda há vestígios das vítimas, então vamos procurar", disse o perito criminal José Antonio Moraes, diretor do Núcleo de Perícia de Crimes Contra a Pessoa do Instituto de Criminalística (IC). Conforme a luz azulada entra em contato com o material orgânico, como pêlos, cabelos, sangue ou fragmentos de dentes ou ossos, o material fica de cor diferente. Isso permite a coleta do material para análise e exame de DNA. O equipamento tem maior eficácia à noite. "Ontem foi um trabalho de reconhecimento do local. Vamos trabalhar o tempo que for necessário, sem previsão de término", disse Moraes. O trabalho tem apoio do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil. "O trabalho macro já foi feito, agora a busca é por material microscópico", disse a perita Rosângela Monteiro, que acredita que serão necessários pelo menos dez dias para concluir o trabalho no local. Na segunda-feira, a equipe vai demarcar as áreas indicadas pelos bombeiros - onde foram encontradas vítimas. INTERDITADOS A Defesa Civil informou que 16 dos 27 imóveis na região de Congonhas, interditados desde o acidente, permanecerão fechados pelo menos até segunda-feira. Os moradores estão hospedados em hotéis pagos pela TAM. Nenhum dos imóveis foi atingido, mas estão isolados pelo risco de desabamento do edifício da empresa. Os desvios feitos na área também devem continuar valendo até segunda.

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