Prefeitura quer grafite em áreas degradadas

Empresas que bancarem desenhos podem fazer propaganda no local

Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

08 de janeiro de 2009 | 00h00

No terceiro ano de vigor da Lei Cidade Limpa, o grafite poderá ser usado por empresas interessadas em firmar termos de cooperação com a Prefeitura de São Paulo. A intenção é usar ilustrações e desenhos de artistas paulistanos para recuperar áreas públicas degradadas da periferia e do centro. Praças, viadutos e terrenos municipais próximos a estações de trem e metrô estão entre os espaços que poderão ser recuperados pelas parcerias, segundo Regina Monteiro, diretora de Paisagismo da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb).As empresas que assumirem a administração de painéis de grafite poderão, como contrapartida, colocar uma placa indicativa no local com dimensões de no máximo 60 centímetros de largura por 80 cm de comprimento. O desenho do grafite não poderá remeter a produto ou marca da empresa. A primeira experiência será testada no centro. Até o fim de fevereiro, a Emurb vai fazer o chamamento público de empresas interessadas em administrar um futuro painel no terreno da Prefeitura de 15 mil metros quadrados ao lado da Estação da Luz."Já tínhamos a intenção de criar um roteiro internacional do grafite em São Paulo. As parcerias vão ajudar a acelerar esse projeto. Muitas praças em bairros distantes poderão receber painéis. As empresas interessadas na publicidade vão contratar os grafiteiros e administrar os desenhos", afirmou a diretora da Emurb.A aproximação entre a gestão Gilberto Kassab (DEM) e os grafiteiros ocorreu após uma empresa contratada pela Prefeitura apagar um dos murais mais importantes da cidade, na alça de acesso da Avenida 23 de Maio ao Elevado Costa e Silva. O desenho de 680 m, feito pelos irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo, foi confundido com pichação.O caso gerou polêmica e colocou os grafiteiros em confronto com o governo municipal. Desde outubro, contudo, foi aberto diálogo entre artistas e a Comissão de Proteção e Paisagem Urbana (CPPU), destinada a estudar as permissões de mídia exterior em espaços públicos."O que existe hoje foi uma abertura do governo. Acho que o projeto é um reconhecimento ao trabalho do grafite. Poderemos ter uma cidade menos cinza com a divulgação de novos trabalhos", afirmou o grafiteiro Fábio Luiz Soares Ribeiro, de 37 anos, o Binho, um dos pioneiros da arte na cidade. Com o vigor do Cidade Limpa, os termos de cooperação entre a Prefeitura e a iniciativa privada saltaram de 256 em janeiro de 2007 para 902 em janeiro deste ano - aumento de 252%. A CPPU espera que os convênios que hoje rendem R$ 80 milhões anuais aos cofres municipais sejam triplicados nos próximos quatro anos.

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