Prefeitura recua e libera Berrini

Avenida simbolizava projeto que restringe circulação de fretados na cidade: mudança foi anunciada às 19h

Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

29 Julho 2009 | 00h00

Os transtornos dos dois primeiros dias de restrição aos ônibus fretados fizeram a Prefeitura de São Paulo abrir mão do projeto original e liberar a circulação na Avenida Luís Carlos Berrini, na zona sul. Ao lado da Avenida Paulista, essa era a via mais emblemática do projeto municipal e citada como uma das que seriam mais beneficiadas pela restrição.   Veja também: Ônibus deixam rua residencial e complicam Marginal Metrô tem até 23% mais procura e quem usa fretado reclama de atrasos    Opine: a Prefeitura deve aliviar as regras aos fretados? Na Berrini serão instalados seis novos pontos de embarque e desembarque de fretados - três de cada lado. A Chucri Zaidan, continuação da avenida, também receberá dois pontos especiais. Esses pontos começarão a funcionar hoje à tarde, segundo a Secretaria Municipal de Transportes. A parada perto da Estação Berrini da CPTM foi transferida para a Nações Unidas; e a da Rua Alvorada, para um recuo da Bandeirantes. "Esse é um período de ajustes. O trânsito é dinâmico e, por isso, as mudanças estão sendo feitas", justificou o secretário de Transportes, Alexandre de Moraes. Ele anunciou as alterações ontem, por volta das 19 horas. No mesmo horário, uma fila de 80 ônibus fretados congestionava a Marginal do Pinheiros, perto da Estação Berrini. Na zona oeste, um grupo de 300 passageiros de fretados interditava as duas pistas da Dr. Arnaldo, em protesto contra a proibição. O secretário ressaltou que as alterações "não significam recuos na medida ou falhas no planejamento". Ele afirma que o fato de haver pontos superlotados, como o da Estação Santos-Imigrantes, e outros que tiveram pouca adesão, como é o do Brás, é explicado "pela própria dinâmica das empresas de fretados". O problema, segundo ele, será resolvido com um escalonamento de horários por parte dos empresários. O presidente do Sindicato das Empresas de Fretamento de Turismo (Transfretur), Jorge Miguel dos Santos, elogiou a mudança na Berrini. "Em vez de atingir uma área tão grande, a Prefeitura tem de atuar em avenidas, organizar o serviço. Este é o momento de rever o que foi apresentado", disse, ressalvando que o sindicato manterá a ação judicial para derrubar a restrição.       À tarde, em Brasília, o prefeito, Gilberto Kassab (DEM), havia afirmado que em nenhuma hipótese a Prefeitura recuaria na restrição à circulação dos fretados. "São medidas que precisam ser implementadas. Aquele que administra uma cidade como São Paulo precisa adotar medidas necessárias, não apenas medidas que sejam suaves, serenas." Kassab ainda aproveitou para criticar os protestos contra a restrição. "Foi um ato de desrespeito à cidade. Tenho certeza absoluta de que não são os usuários dos fretados. Os passageiros estão dialogando conosco, várias das reivindicações estão sendo atendidas", disse. À noite, Moraes também reclamou. "O que está acontecendo nos protestos é uma baderna organizada por parte de pessoas que têm interesses econômicos em jogo. A mesma pessoa que se dirigiu com ofensas a mim (anteontem, na Estação Santos-Imigrantes) foi a mesma que organizou os protestos da Berrini e (ontem) da Dr. Arnaldo." A Secretaria de Transportes também divulgou dados que mostram redução nos índices de congestionamento na cidade, nos dois primeiros dias de vigência da Zona de Máxima Restrição ao Fretamento (ZMRF). Os melhores resultados, segundo a pasta, foram registrados na Paulista, no horário de pico da manhã, com redução de 63% na lentidão. Os motoristas e fiscais que passam pelas Avenidas Paulista e Engenheiro Luís Carlos Berrini concordam e dizem que as medidas de restrição ao fretados melhoraram o trânsito. "A Berrini está menos congestionada. Anteriormente, tinha mais atraso por conta dos fretados", afirmou o fiscal Rafael Magalhães. Anteontem, entre 7 horas e 8h30, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) marcou 23 km de lentidão no Município. Ontem pela manhã, foram 12 km. No primeiro dia de restrição, os fiscais da SPTrans e da CET aplicaram 655 multas. Durante o pico da manhã de terça-feira, houve mais 243 autuações. COLABORARAM ELVIS PEREIRA, FELIPE GRANDIN, LISANDRA PARAGUASSÚ e NAIANA OSCAR

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.