Prefeitura vai retomar o Paulistão, ex-"Fura-Fila"

A Prefeitura de São Paulo irá retomar, na próxima terça-feira, as obras do polêmico projeto de Veículo Leve Sobre Pneus (VLP), o antigo Fura-Fila, que teve seu projeto original remodelado e foi rebatizado pela prefeita Marta Suplicy (PT) de Paulistão. O anúncio foi feito pelo secretário municipal dos Transportes, Carlos Zarattini, durante audiência com os vereadores, onde teve que prestar esclarecimentos sobre a atual situação do sistema de transporte da cidade.O início simbólico das obras será feito durante uma solenidade no canteiro de obras da futura estação Parque D. Pedro. Esse primeiro trecho irá até o Sacomã e, posteriormente, será construído o trecho 2, indo até São Mateus, passando pelo terminal de Vila Prudente. De acordo com a Assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal dos Transportes (SMT), desde a gestão do ex-prefeito Celso Pitta (PSL), quando as obras foram iniciadas, foram aplicados R$ 108 milhões na construção e, para que o dinheiro gasto não fosse desperdiçado, a atual administração resolveu retomar as obras. A previsão do custo total do VLP, calculando o que já foi gasto, é de R$ 382 milhões. Pelo novo projeto, o VLP correrá ao nível do solo e não em linhas elevadas, como previa a proposta original. A prefeitura prevê que 1,5 milhão de pessoas serão atendidas pelo meio de transporte.Para o consultor da Agência Nacional de Transportes (ANTP), Laurindo Junqueira, que foi secretário de transportes em Campinas e Santos, o projeto do VLP foi desenvolvido de uma forma em que não há ligações com outros meios de transportes, como o Metrô. "A população foi prejudicada, porque o Metrô mudou sua obras em decorrência do VLP", afirmou o consultor.Para ele, a Prefeitura deveria fazer parcerias com o Estado e investir os recursos na ampliação da rede do Metrô. Junqueira diz que o Paulistão é um projeto que já nasce manco. "O VLP foi muito criticado porque leva o nada a lugar nenhum. É um projeto que já nasce manco. Não houve integração, nasceu com características políticas, o traçado é vazio, ele tinha que atender regiões mais carentes e não áreas secundárias", disse Junqueira.IntervençãoDurante o esclarecimento que prestava aos vereadores, o secretário dos Transportes, Carlos Zarattini, disse que diante de novas greves no sistema de ônibus, a Prefeitura vai estudar a questão "caso a caso", e que a intervenção nas empresas é prejudicial para o Poder Público, que assume dívidas da empresa interditada. " Não é interessante ficar fazendo interdição, mas (em caso de paralisação) vamos estudar casa a caso", disse o secretário.Além disso, o secretário disse como os motoristas e cobradores de ônibus ainda não receberam o plano de saúde dos empresários, reivindicado na ultima negociação da categoria. Com isso, as empresas de ônibus continuam pagando a taxa de administração de R$ 0,02 para a São Paulo Transportes (SPTrans), que seria abolida após o acordo entre as empresas e o sindicado da categoria.

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