Prejuízo foi de ao menos R$ 214,5 mil

Se empresa de segurança receber multa, pagará no máximo R$ 2,5 mil

Damaris Giuliana, O Estadao de S.Paulo

07 de março de 2009 | 00h00

Caso a empresa Guarda Patrimonial seja responsabilizada por negligência na segurança do CTT, poderá sofrer penalidades que vão de advertência à cassação do direito de atuar em todo o País. Se for apenas multada, a empresa pagará quantia que varia de R$ 500 a R$ 2,5 mil. O armamento levado pelos bandidos, porém, custa bem mais que isso. O prejuízo para a fabricante de armas é de pelo menos R$ 214,5 mil.O Exército não confirma o roubo de munições, mas afirma que foram subtraídos 22 fuzis e 89 pistolas. Pelo menos dois dos fuzis eram automáticos leves (FAL) 7,62 mm, avaliados em R$ 5 mil cada um; e ao menos dez eram 5,56 mm, com o custo unitário de R$ 3,5 mil - ambos de uso exclusivo das Forças Armadas. Os demais não foram identificados.Entre as 89 pistolas roubadas, havia pelo menos 40 do tipo semiautomático .380, negociado comercialmente por R$ 1,5 mil cada um. Algumas pistolas seriam .40, vendidas no mercado por R$ 2,5 mil cada uma delas.O Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados (SFPC) - por ele, o Exército recebe R$ 14 milhões por ano - só poderá autuar a empresa depois que tiver o laudo da perícia feita pela Polícia Civil. "Espero receber o laudo até segunda", disse o general-de-divisão Eduardo Wizniewsky, comandante da 2ª Região Militar, da qual o SFPC faz parte. "Depois, a empresa terá 15 dias para apresentar sua defesa, por escrito.""O Exército não tem poder de polícia jurídica neste caso, somente de polícia administrativa", explicou o general. Assim, os militares não podem fazer nenhum interrogatório ou vistoria no local do crime. O processo administrativo tem de ser concluído em 30 dias. A pena para a empresa é determinada pelo Exército, que encaminha o resultado à Polícia Civil. Anexado ao inquérito, o documento pode servir como prova em uma responsabilização criminal. Segundo o coronel César Augusto Moura, chefe de Comunicação Social do Comando Militar do Sudeste, a empresa Guarda Patrimonial tem licença para atuar até o final de dezembro. "A autorização é anual e a empresa apresentou toda a documentação. A guia de tráfego está correta."Além de examinar documentos, o Exército avalia a capacidade segurança ativa (homens para ronda) e inativa (travas, cofres, câmeras etc.) para, então, conceder a licença.ARMAMENTOO FAL 7,62 mm é uma arma militar. Pesa 4,9 kg quando carregado e pode levar até 20 cartuchos. Com munição especial, perfura blindagem de 6 mm e pode atravessar até cinco pessoas em uma curta distância. Seu alcance é de 600m e a velocidade, de 3,6 mil km/h.O fuzil 5,56 mm é menor, mais leve e mais moderno. Carregado, não passa de 3,82 kg, podendo levar de 20 a 30 cartuchos. Dependendo da munição, também pode atravessar até três pessoas, assim como as blindagens de 6mm. Tem alcance de 400 m e velocidade de 2.520km/h. Os dois fuzis são de uso exclusivo das Forças Armadas, mas as polícias podem solicitar autorização para comprá-las. Já a pistola .380 utiliza munição idêntica à do revólver calibre 38, capaz de penetrar, mas não de atravessar uma pessoa. É facilmente encontrada em lojas.

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