Preocupação ecológica chega aos condomínios

Tanto empreendimentos novos como antigos podem adotar medidas para preservar recursos naturais

Rodrigo Gallo, O Estadao de S.Paulo

16 de novembro de 2007 | 00h00

A preocupação com o meio ambiente entrou de vez nas casas e apartamentos modernos. Está nos encanamentos, na rede elétrica, no aquecimento dos chuveiros, nas latas de lixo, nos jardins e traz, além de economia de recursos, qualidade de vida para os moradores. Essa consciência ecológica não é exclusividade dos empreendimentos novos. Edifícios antigos também podem ser adaptados para contribuir com o verde.A adoção de coleta seletiva de lixo, instalações de sensores de luz e sistemas de medição individual de água são processos acessíveis e práticos de serem instalados. No caso dos medidores individuais, muitas vezes, nem é necessário quebrar as paredes. O processo é rápido, limpo e relativamente barato. Quando colocou no lápis o custo e o benefício das obras, o síndico Benedito Rufino decidiu propor mudanças no prédio onde mora, no bairro do Limão, zona norte de São Paulo. O objetivo: combater o desperdício de água no condomínio. Há dois anos, ele conseguiu convencer os demais moradores a instalar medidores individuais de consumo de água nos apartamentos. O resultado veio poucos meses depois traduzido na conta do condomínio. "Notamos que o gasto com água reduziu em 42% em todo o prédio", diz Rufino.Segundo o síndico, o sistema surte efeito principalmente porque mexe no bolso dos moradores. Quando o custo era rateado, eles não ficavam atentos ao consumo. Agora, passam a fechar as torneiras. "As pessoas ficaram mais conscientes quanto ao desperdício, além de pagar exatamente o quanto gastam por mês", orgulha-se o síndico.Outro efeito positivo apareceu nas contas da administração. Com o valor da taxa condominial menor, a inadimplência caiu de 27% para 3%, segundo Rufino. "Muitos moradores recebiam uma tarifa mensal alta e não pagavam por falta de dinheiro", explica o síndico. Essas mesmas pessoas muitas vezes tinham um consumo individual abaixo da média dos demais.Pelos cálculos da administração do prédio, antes da mudança, um apartamento com quatro moradores consumia em média 50 metros cúbicos de água por mês. Quando a tarifa passou a ser cobrada de acordo com o gasto de cada unidade, a média de consumo para o mesmo apartamento com quatro moradores passou para 30 metros cúbicos. "Mas muitos condôminos reduziram o gasto para abaixo dos 20 metros cúbicos", calcula Rufino.Perto da economia financeira e a possibilidade de contribuir com a natureza, o custo dessas mudanças foi muito pequeno: na ocasião, foram investidos R$ 380 por morador.ENERGIA ELÉTRICAHá um ano, os velhos interruptores de energia das escadas e corredores do condomínio foram substituídos por sensores de acionamento por presença - as lâmpadas se acendem quando a pessoa passa e se apagam pouco depois, evitando que a luz fique ligada desnecessariamente. O resultado foi um corte de 20% no valor da tarifa de energia elétrica e, novamente, benefícios ao meio ambiente. Pelo novo sistema de luz, o condomínio gastou R$ 500 - valor que foi dividido entre os moradores dos seis andares da torre.OUTRAS MEDIDASAlém da água, é possível adotar alternativas simples para ajudar na preservação do meio ambiente em prédios residenciais novos ou antigos. Uma das opções mais viáveis é a adoção de coleta seletiva de lixo nos andares. O único custo disso é o dos latões para a distribuição dos materiais. A principal contribuição fica por conta dos próprios moradores. Para incentivar a prática, o condomínio pode fazer campanhas.O benefício financeiro é que o lixo acumulado pode ser vendido para cooperativas de catadores. E o dinheiro pode ser usado para reduzir o valor mensal do condomínio. Outra opção é doar os resíduos. Assim, além de ser ecológico, o condomínio pode prestar ações sociais.É importante também preservar as áreas verdes. Condomínios antigos normalmente já estão em áreas devastadas. Os que têm canteiros podem ganhar novas plantas e paisagismo. Mas a responsabilidade maior, neste caso, fica a cargo dos novos prédios. No condomínio Landscape Panamby, da Rossi Residencial, por exemplo, há um bosque privativo de 15 mil metros quadrados onde foram feitas trilhas ecológicas e áreas para ginástica. A preservação se reverte em vendas. "Quando lançamos a última torre, a existência da área foi fundamental para os compradores", afirma Marcelo Dadian, diretor comercial da empresa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.