Preocupações incluem ainda ambiente, custo e operação

Para o professor do Departamento de Geotécnica e Transporte da Unicamp Cássio Paiva, é necessário priorizar as demandas e verificar se há necessidade de investir tanto dinheiro numa obra desse porte. "É importante, mas polêmico. Vamos discutir se vale a pena fazer esse trem. Precisamos de um projeto casado com a realidade do País", diz Paiva. Uma dessas realidades a serem consideradas é o impacto ambiental do projeto. "Estão dizendo que vai desmatar 800 hectares, mas como eles sabem, se o estudo de impacto não foi feito?", indaga o coordenador da SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani. "O trem é importante, mas é preciso ainda analisar as medidas mitigadoras." O presidente da extinta Agência de Desenvolvimento do Trem Rápido entre Municípios, Guilherme Quintela, afirma que a proposta ajudará a disciplinar a região. "É um projeto estruturante da macrometrópole entre São Paulo e Rio", diz. "Por falta de transporte, essas cidades incharam. O trem possibilitará que São Paulo pare de crescer desordenadamente. Paris passou exatamente por isso e o governo fez o trem para Lyon, para desafogá-la." Especialistas ainda consideram que os entraves vão persistir até na operação do trem-bala. Segundo o diretor da Feira de Negócios nos Trilhos, Gerson Toller, é necessário definir regras claras para quem for operar o TAV. "Nos países onde há trens assim, a operação é feita por empresas especializadas, em grande parte estatais. O consórcio que vencer aqui no Brasil não estará acostumado a fazer a operação."

Eduardo Reina e Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

23 Agosto 2009 | 00h00

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