Presa coronel acusada de corrupção

1.ª oficial detida na história da PM levaria R$ 30 mil por mês de propina

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2009 | 00h00

A tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo Elizabete Soliman foi presa ontem, acusada de chefiar um esquema montado no 31º Batalhão para arrecadar propina de perueiros clandestinos e da máfia dos bingos e caça-níqueis. Soliman, com 27 anos de carreira, alega inocência. A detenção da tenente-coronel, a primeira de uma oficial dessa patente na história da corporação, foi resultado da delação premiada feita pelo primeiro-tenente Antônio Domingos de Souza Neto, seu subordinado. Suspeita-se que ela recebesse R$ 30 mil mensais de propina.Foi o coronel Wagner Cesar Gomes de Oliveira Tavares Pinto, do Comando de Policiamento de Área Metropolitano (CPA-M7), que prendeu a tenente-coronel. Ele telefonou para Soliman e perguntou onde ela estava. A oficial contou que estava na casa da filha. O coronel foi buscá-la. A oficial foi levada ao Comando para ser ouvida, mas seu advogado não concordou com o depoimento antes que ele tivesse acesso ao inquérito do caso. O coronel levou então Soliman ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital.Além de prender a oficial, os homens do serviço reservado do CPA-M7 cumpriram seis mandados de busca e apreensão nas casas de policiais suspeitos - cinco soldados e um capitão. O escândalo envolvendo o 31º batalhão, responsável pelo patrulhamento de parte da região de Guarulhos, já levou para a cadeia dez policiais - dois oficiais, dois sargentos, três cabos e três soldados.O outro oficial que está preso é o major Altair do Carmo Silva, que chefiou a companhia da cidade de Arujá - o esquema atuaria ainda nas cidades de Itaquaquecetuba e Santa Isabel. No caso de Santa Isabel, só depois que os PMs suspeitos foram transferidos da companhia por ordem do comandante do CPA-M7 é que voltaram a ocorrer apreensões de caça-níqueis na cidade.Isso consta do relatório do primeiro inquérito policial militar do caso, presidido pelo major João Carlos Pelissari. "Nos meses de outubro, novembro e dezembro, não houve nenhuma apreensão de máquinas caça-níqueis, porém, após a movimentação (transferência) dos indiciados, já existiram várias." Segundo testemunhas protegidas pela Justiça - há três delas no caso -, o tenente Souza Neto e o soldado Dário Roberto do Carmo eram responsáveis por apanhar o dinheiro de propina de bingo. AGIOTAGEMEm seu relatório, o major Pelissari levanta outra suspeita: a de que os acusados mantinham um esquema de agiotagem no quartel. "Não era incomum o soldado Roberto fazer custódia de cheques, como num esquema de agiotagem. Para tanto seria necessário um capital de giro para garantir a custódia, pois, caso não houvesse resgate, o policial é quem arcaria com o ônus da cobertura", observa.Pelissari foi substituído no comando das investigações pelo coronel César, seu superior, quando o nome da tenente-coronel surgiu no inquérito. Foi César quem ordenou a Pelissari que instaurasse o inquérito e usasse o serviço reservado do CPA-M7 para investigar o suposto esquema. O coronel afirmou que o tenente Souza Neto deve permanecer em liberdade até o julgamento porque resolveu colaborar com as investigações. O tenente foi denunciado no dia 6 de março pelo Ministério Público Estadual, sob a acusação de corrupção em companhia de outros cinco policiais, que tiveram a prisão decretada. Na quinta-feira foi a vez de o major e outros três PMs serem presos.FRASESJoão Carlos PelissariMajor"Nos meses de outubro, novembro e dezembro, não houve qualquer apreensão de máquinas caça-níqueis (em Santa Isabel), porém, após a movimentação (transferência) dos indiciados, já existiram várias""Não era incomum o soldado Roberto fazer custódia de cheques, como num esquema de agiotagem"

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