Presa máfia libanesa do ecstasy

Depois de faturar milhões de dólares com o tráfico de ecstasy para o Brasil e de cocaína para a Europa, a máfia libanesa teve dois de seus chefes presos nos Jardins, zona sul. O libanês Nagib Ali Hendous, de 33 anos, e o comerciante brasileiro Feiz Moraes Saleh, de 34, foram detidos anteontem pelo Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) com 4,3 mil comprimidos de ecstasy vindos da Holanda. Considerada uma das maiores quadrilhas do tráfico de drogas sintéticas para o País, ela resgatou em junho uma de suas gerentes, uma bacharel de Direito presa na zona norte da capital. Hendous vivia no Paraguai e Saleh morava na Alameda Jaú, nos Jardins. Segundo o delegado Rubens Barazal, do Denarc, os dois substituíram na organização criminosa libaneses presos pela Operação Tâmara. Deflagrada pela Polícia Federal em 2005, ela investigou as cinco grandes famílias muçulmanas que dominam a máfia, que atua na Europa e no Oriente Médio. A quadrilha usava brasileiros e europeus como mulas. Faturava por mês com a cocaína entre US$ 4 milhões e US$ 6 milhões. A polícia não tem estimativas sobre ganhos com ecstasy. Mas só com dois franceses que trabalhavam como mulas, a PF apreendeu 84 mil comprimidos, no dia 18, no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Saleh e Hendous eram, segundo o diretor do Denarc, Everardo Tanganelli Junior, intermediários no tráfico internacional. Mantinham contatos com traficantes europeus e do Oriente Médio, que encomendavam cocaína. Compravam a droga na Colômbia ou no Peru por cerca de US$ 3 mil o quilo, revendido por US$ 20 mil a US$ 30 mil na Europa. Parte do lucro era investida na compra de ecstasy por R$ 1 a unidade. Aqui, médios traficantes pagavam à máfia R$ 10 pelo comprimido da droga - que custa até R$ 35 em raves. ''''Estimamos que o grupo dos dois enviasse 200 quilos de cocaína por mês à Europa'''', disse Tanganelli Junior. Além dos libaneses, o Denarc prendeu as brasileiras Juciara Alves de Souza, de 39 anos, e a professora Andressa Oste Petena Facca, de 30, a Piti. ''''A Andressa ia buscar os franceses (no dia 18), mas, quando viu que eles foram em cana, fugiu'''', disse Tanganelli Junior. Loira e bonita, Andressa agenciava mulas para a máfia. Detida na Operação Tâmara, ela tinha sido condenada a 12 anos de prisão. Em 16 de junho, foi resgatada depois de ser atendida no Hospital do Mandaqui - ela cumpria pena na Penitenciária de Sant''''Anna. Andressa disse no presídio que tinha machucado a coluna e o braço numa queda para receber atendimento médico. Quando ela saía do hospital, um homem armado entrou na ambulância e dominou o motorista e dois agentes da escolta. Ordenou que seguissem até Santana. Ali, outro bandido apanhou Andressa enquanto o primeiro algemava os agentes e o motorista.

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2006 | 00h00

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