Presa no RJ quadrilha que clonava cartões

Bando aliciava funcionários que faziam manutenção de máquinas

Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2009 | 00h00

A Polícia Civil do Rio desbaratou uma quadrilha especializada em clonagem de cartões de crédito, ontem, na operação batizada de Crédito Fácil. Cinco pessoas foram presas, incluindo o homem apontado como chefe do bando, o empresário Rogério Antunes Cerqueira, de 28 anos. Outras quatro pessoas estão foragidas. O grupo, que adquiria a tecnologia para a clonagem de cartão em São Paulo, preparava um novo golpe que renderia US$ 20 mil por dia. O bando começou a ser identificado com base em registros de ocorrências feitos por turistas estrangeiros, no ano passado, de fraudes com cartões de crédito. O delegado Fernando Veloso, da Delegacia de Apoio ao Turismo (Deat), descobriu que Rogério e o primo Cristiano Cerqueira da Silva, de 34 anos, aliciaram funcionários de empresas de manutenção de máquinas de cartão. Eles instalavam equipamentos adulterados nas lojas e os recolhiam dias depois, com os dados dos clientes.Para isso, simulavam um defeito na máquina. Depois que o o equipamento fraudado havia armazenado dados de clientes, a troca era desfeita para não levantar suspeita das empresas contratadas para a instalação e manutenção das máquinas de cartão. "Os lojistas devem ficar atentos a esses funcionários e ligar para a empresa sempre que desconfiar de alguma coisa. E sempre exigir a identificação", alertou o delegado Veloso. A quadrilha revendia para outros bandos os cartões clonados (internacionais eram negociados a R$ 400 e os nacionais, a R$ 300). Também faziam compras em lojas, sites e até no Paraguai. Os produtos - laptops, TVs de plasma, máquinas digitais e telefones celulares - eram vendidos em rifas, anúncios de jornal e sites. Veloso estima que, por baixo, o grupo dava prejuízo mensal de R$ 350 mil às operadoras de cartão. O bando se preparava, agora, para comprar equipamento que permitiriam ter acesso online às informações dos cartões de crédito usados nas lojas, sem a necessidade de voltar ao estabelecimento e recolher as máquinas. Nas escutas telefônicas, Rogério Cerqueira negociava com um homem a compra do equipamento por R$ 15 mil. Na conversa, o interlocutor elogiava o equipamento. "Pega até o alfabeto", disse. "(Vamos) fazer aí por dia uns US$ 20 mil."

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