Presa quadrilha que fraudava o seguro-desemprego no Rio

Grupo era responsável pela fraude no recebimento do benefício, da seguridade social dos trabalhadores desempregados e dispensados do emprego sem justa causa

Ricardo Valota, do Estadão.com.br,

21 de dezembro de 2010 | 02h50

Agentes da Delegacia Fazendária do Rio, durante a Operação Justa Causa, nesta segunda-feira, 20, prenderam, na Baixada Fluminense, quatro integrantes de uma quadrilha responsável por fraudes no seguro-desemprego que somam cerca de R$ 5 milhões.

 

Sandra Soares da Conceição, chefe da quadrilha, Geraldo Rosa Pacheco, servidor público, Marlon Marcos da Silva e Alice Paiva são acusados de estelionato, corrupção ativa e passiva e formação de quadrilha. Cinco mandados de prisão preventiva foram expedidos. Oscar, irmão de Sandra Soares, está foragido.

 

Segundo o delegado titular da especializada, Ângelo Ribeiro, a quadrilha que atuava nos municípios de Duque de Caxias, Nova Iguaçu e São João de Meriti, era responsável pela fraude no recebimento do benefício, da seguridade social dos trabalhadores desempregados e dispensados do emprego sem justa causa.

 

O esquema funcionava com a abordagem de um "zangão", - nome dado ao criminoso que alicia clientes nas filas das agências da Caixa Econômica Federal, com a falsa promessa de receber valores superiores ao que teriam direito e de agilizar o processo de retirada do auxílio. Depois da proposta, o cliente era levado a um escritório de advocacia, dois deles de Sandra - em Nova Iguaçu e Duque de Caxias -, onde eram realizadas as fraudes nos documentos.

 

Cerca de 200 trabalhadores foram lesados. Os agentes chegaram este número analisando apenas o material encontrado nos escritórios de Sandra Soares, responsável pela articulação da quadrilha. Computadores, cadernos com fichas de clientes, cartões cidadão, carteiras de trabalho, carimbos e outros materiais, usados na falsificação da documentação entregue para dar início ao recebimento das parcelas referentes ao pagamento do auxílio, foram apreendidos.

 

Em alguns dos casos as vítimas não estavam cientes da participação no golpe, esperando apenas receber o benefício de forma mais rápida. A primeira parcela do dinheiro, de R$ 954, ficava com a quadrilha, e os trabalhadores não tinham conhecimento, recebendo pelo correio os documentos adulterados. O esquema tinha a participação de Geraldo Rosa, funcionário público lotado em um órgão subordinado a Secretaria de Estado do Trabalho e Renda, que inseria dados falsos no sistema sobre dispensa de empregados ou majoração de valores de salário, visando aumentar o valor da parcela do benefício social.

 

De acordo com a Secretária de Estado de Trabalho e Renda, o golpe é antigo, mas a divulgação de como deve ser feito o processo de retirada do benefício de direito do trabalhador, de forma gratuita, é o melhor caminho para evitar esse tipo de fraude.

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