Presa sogra de turista alemã assassinada no Recife

Prisão temporária foi requisitada para evitar obstrução da investigação após ex-presidiário dizer ter sido alvo de tentativa de suborno para assumir crime

Ângela Lacerda, de O Estado de S. Paulo

16 de março de 2010 | 14h51

Delma Freire de Medeiros, sogra da turista alemã Jennifer Kloker, 22 anos, morta há um mês no município metropolitano de São Lourenço da Mata, foi presa no início da tarde desta terça-feira, 16, ao chegar ao escritório do seu advogado, Célio Avelino, no centro do Recife.

 

A prisão temporária - por 30 dias - ocorreu depois do depoimento, na segunda-feira, de um ex-presidiário que disse ter recebido a proposta, de Delma, de ganhar R$ 20 mil e um passaporte para assumir participação no assassinato da alemã naturalizada italiana. O juiz de São Lourenço da Mata, Djaci Salustiano, determinou a prisão, acatando pedido da polícia para evitar obstrução das investigações.

 

O viúvo e o sogro de Jennifer - Pablo Tonelli, 22 anos, pernambucano naturalizado italiano, e o italiano Ferdinando Tonelli, 45 - estão presos, também de forma temporária, desde o dia 23, no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), como principais suspeitos do crime. Delma seria encaminhada ainda ontem para a Colônia Penal Feminina. A polícia trabalha na linha de que o crime teria sido motivado por um seguro de vida feito em nome de Jennifer, cujo beneficiário seria Ferdinando. Documentos que comprovariam a existência desse seguro foram requisitados à polícia internacional.

 

O ex-presidiário, de 26 anos, se apresentou à polícia na noite de segunda. Afirmou ter sido alvo de suborno para dizer que teve envolvimento na morte de Jennifer, reforçando a versão dos Tonelli de que a moça teria sido sequestrada e morta depois da família ter sido assaltada perto do Terminal Integrado de Passageiros, no bairro do Curado, na noite da sexta-feira de carnaval, 16 de fevereiro.

 

De acordo com os Tonelli, a família ocupava um carro Gol alugado e foi abordada por dois motoqueiros armados. Um entrou no carro e os obrigou a seguir o comparsa até um local deserto, onde foram roubados. Jennifer teria se descontrolado e, por isso, levada pelos bandidos. O corpo da turista, que passava férias no Brasil, foi encontrado na margem da BR-408, em São Lourenço, alvejado por quatro tiros.

 

O ex-presidiário chegou a dar entrevista à TV Globo, no escritório de Avelino, como se fosse um dos motoqueiros. Depois, em coletiva à imprensa, disse ter sido orientado por Delma e seu advogado sobre como proceder e não cair em contradição. Ele afirmou ter conhecido Delma em 2003, quando ela o convidou para levar cocaína para a Europa. Delma nega a história - "estou totalmente limpa e inocente" - e Célio Avelino supôs que ele tem "algum distúrbio". Segundo o advogado, o rapaz o procurou no seu escritório na segunda-feira.

 

Por entender que sua cliente não tem envolvimento na farsa, Avelino continua como seu defensor e ainda ontem pretendia entrar com pedido de habeas corpus em seu favor. Todas as tentativas anteriores do advogado visando a liberar Pablo e Ferdinando Tonelli foram negadas pela justiça.

 

O filho de três anos de Jennifer e Pablo, que estava com a avó, poderá ficar sob os cuidados da tia, Roberta Freire, que mora na Itália e chegou ao Recife, dia 11, para depor no caso. Ela é rompida com a mãe.

 

De acordo com a polícia, Ferdinando, que tem um relacionamento amoroso com Delma, adotou Pablo, na Itália, há cinco anos. Nesta mesma época Jennifer teria se naturalizado italiana. Este também é o tempo do relacionamento de Pablo e Jennifer, que seria conturbado. Em junho do ano passado, ela prestou queixa à polícia, na Itália, por agressão. O corpo de Jennifer Marion Nadja Kloker continua no Instituto de Medicina Legal (IML).

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