Presas de três unidades comemoram fuga de ´Maria do Pó´

Com cantoria, gritos e aplausos, 2.618 presas de três presídios paulistas comemoraram a fuga da traficante Sônia Aparecida Rossi, 45 anos, a Maria do Pó, e Cleonice Santos de Jesus, 28 anos, a Tatona. Ambas fugiram às 13h de quinta-feira da Penitenciária Sant´Ana, no Carandiru, zona norte da capital paulista.Segundo a diretora-geral da unidade, Maria da Penha Risola Dias, uma sindicância administrativa foi aberta para apurar as circunstâncias da fuga. Ela disse que funcionários já estão sendo ouvidos e que têm prazo de 30 dias para concluir as investigações.O secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, afirmou que houve no mínimo falha ou até mesmo conivência de funcionários. Maria do Pó é condenada a 54 anos e 8 meses por tráfico. Tatona tem o triplo da condenação: 171 anos e 10 meses, também pelos crimes de tráfico e homicídio.Pelo telefone celular, J., uma detenta da Penitenciária Sant´Ana, contou que as 1.350 detentas vibraram como se o Brasil tivesse conquistado uma Copa do Mundo quando funcionárias sentiram a falta de Maria do Pó e Tatona. "Mas isso só aconteceu quatro horas depois da fuga. Elas já estavam longe", comentou feliz a presidiária.Na Penitenciária Feminina da Capital, também no Carandiru, as 679 presas improvisaram um rap. Um trecho da música dizia "a casa caiu, a casa caiu", em referência ao possível afastamento da diretoria da unidade onde aconteceu a fuga. Também pelo telefone celular, a presa C., condenada a 6 anos por tráfico, disse que as detentas fizeram até batucada nas portas das celas quando souberam da fuga.O clima de alegria também reinou na Penitenciária de Campinas. As 589 presas festejaram com batucadas e aplausos a fuga de Maria do Pó e Tatona. Na tarde de sexta-feira S., condenada por seqüestro, disse pelo celular que as comemorações e cantorias só pararam por volta das 22h de quinta-feira.Maria do Pó e Tatona passaram por essas três unidades e eram muito respeitadas pelas detentas. A diretora Maria da Penha afirmou que as fugitivas se infiltraram em um grupo de 35 detentas que saíram para pintar as celas do pavilhão 3 e desapareceram . As duas traficantes passaram por pelo menos quatro portões.Ontem representantes do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional (Sifuspesp) realizaram um protesto em frente à Penitenciária Sant´Ana por melhores salários e condições de trabalho.

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