Presas vão ajudar a organizar Arquivo do Rio

O Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (Aperj) inaugurou nesta quinta-feira um posto avançado no presídio feminino Talavera Bruce, em Bangu, zona oeste do Rio. Oitenta internas fazem o trabalho de higienização e catalogação de parte da documentação do Arquivo em troca de um salário mínimo e de outros benefícios, como redução de pena. "É um serviço de amplo alcance social, pioneiro no Brasil", afirmou a diretora do Aperj, Jessie Jane, autora da idéia.Segundo ela, o trabalho com as internas do Talavera também ajuda a cobrir a deficiência de pessoal do Arquivo, que tem um acervo de três quilômetros de documentos e mais de 40 mil fotos. "Estávamos sem gente para fazer esse serviço. A nossa estimativa era de que as presas fizessem a limpeza de 50 códices por semana, mas ficamos surpreendidos. Elas estão limpando essa quantidade por dia", explicou.Apesar de ter sido inaugurado oficialmente nesta quinta-feira, o posto já vem fucionando desde segunda-feira. Por enquanto, o material que está sendo tratado pelas internas do Talavera faz parte de um fundo da Secretaria de Estado de Fazenda, cujo conteúdo ainda é desconhecido. "As presas fazem uma limpeza preventiva e a catalogação. Depois, essa documentação vem para o Arquivo, onde nós fazemos, então, a descrição de cada códice", explicou Jessie, que, como presa política, cumpriu pena de nove anos no Talavera Bruce nos anos 70.Para o secretário de Direitos Humanos e Sistema Judiciário, João Luiz Duboc Pinaud, o projeto resgata a cidadania e a dignidade das presas. "Nós é que somos os homenageados com esse novo posto avançado do Arquivo Público, que vem marcar a vitória de um trabalho sério de Direitos Humanos", elogiou o secretário. O posto recebeu o nome de Abigail Paranhos, em homenagem à ex-conselheira e presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB do Rio, Francisca Abigail Barreto Paranhos.

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