Presença do Exército poderia ter evitado novos ataques, diz Thomaz Bastos

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos disse no final da manhã desta segunda-feira, 7, que, se o Exército estivesse nas ruas, os novos ataques atribuídos à facção criminosa do Primeiro Comando da Capital (PCC) nesta madrugada poderiam ter sido evitados. "Eu acredito que se a gente colocasse a operação do Exército aqui, teria efeito dissuasório muito grande, como teria sido em maio, como teria sido em junho. O Exército não é preparado para isso, mas funcionou muito bem nas emergências. Não quero colocar a faca no peito do governador", disse.Bastos afirmou que também está amedrontado. O ministro está em um encontro com o procurador-geral Rodrigo Pinho e tentaria falar com o governador de São Paulo, Cláudio Lembo.AtaquesDuas pessoas ficaram feridas na manhã desta segunda-feira, 7, após um ataque a um supermercado na zona sul da cidade. Essas são as primeiras vítimas dos novos atentados iniciados nesta madrugada em São Paulo.Por volta das 7h15, um coquetel molotov atingiu a entrada do supermercado Extra, na Avenida Sargento Geraldo Santana, 1.491, em Interlagos. Duas pessoas ficaram feridas com os estilhaços e foram encaminhadas ao Pronto-Socorro do Hospital Santa Maria. Os incendiários atacaram ainda um supermercado Compre Bem, no Carrão, na zona leste de São Paulo. Não há registro de vítimas.Os novos ataques incluem prédios do Ministério Público e da Secretaria da Fazenda, duas bases da Guarda Civil, dois carros da Polícia Civil, postos de gasolina e agências bancárias. Duas viações deixaram de operar na zona leste.Uma bomba de fabricação caseira e um coquetel molotov explodiram no prédio do Ministério Público Estadual, na Rua Riachuelo, no centro da cidade.Uma base da Guarda Municipal, localizada na Rua Manoel José Pereira, 300, no Campo Limpo, zona sul, foi atingida por dois tiros disparados por quatro homens que estavam em um Gol branco. Nenhum guarda ficou ferido. Outra base, em Osasco, na Grande São Paulo, foi atacada pela segunda vez, por volta das quatro da madrugada. Dois homens em um Palio, abandonado no local, metralharam a base.O prédio da Secretaria da Fazenda, na Avenida Rangel Pestana, região central, próximo ao Poupatempo, também foi alvo de incendiários. Duas viaturas da Polícia Civil foram incendiadas no estacionamento em frente ao Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) na zona norte da capital.Além dos prédios públicos, agências bancárias também foram atacadas, além de postos de gasolina na capital e na Grande São Paulo.TransporteO transporte público mais uma vez foi alvo de incendiários. As primeiras informações apontavam para 25 ônibus incendiados na Grande São Paulo, 15 só na Capital. A SPTrans confirma pelo menos 4 ataques na cidade de São Paulo. Na zona leste da Capital, viações paralisaram o serviço após a destruição de um trólebus.Em Mauá, cerca de sete ônibus foram incendiados. Em Santo André, pelo menos três coletivos foram atacados. Ataques a ônibus também foram registrados na cidade de Jundiaí. Veja mais detalhes dos ataques ao transporte público no link ao lado.InteriorNa região de Campinas, incendiários atacaram um distrito policial na cidade de Sumaré. Em Nova Odessa e Americana os alvos foram postos da Guarda Civil Metropolitana. Em Santa Bárbara do Oeste, dois bancos foram atacados. Leia mais no link "Ataques também atingem a região de Campinas".MotivosAinda não há informações sobre os motivos que levaram a facção a atacar novamente. Especula-se que o grupo tinha a intenção de promover novos ataques durante o Dia dos Pais, como previa o Ministério Público Estadual, em represália à possibilidade de não receberem o benefício do indulto no próximo final de semana. Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, identificado como líder da facção, foi interrogado na última semana no Tribunal do Júri por meio de videoconferência. Marcola é acusado de ter dado a ordem que matou o bombeiro João Alberto da Costa na primeira onda da violência promovida pelo grupo. O Ministério Público pede que o líder seja responsável pela indenização à família do bombeiro. Esta seria uma das razões que teria desencadeado a terceira onda de ataques.

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