Wesley Rodrigues/Hoje em dia - 28/3/2011
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Presidência admite erro em carona a amiga de piloto no avião de Dilma

A Presidência da República admitiu ontem que falhou ao permitir a carona clandestina da professora de educação física Amanda Patriarca no avião presidencial que levou Dilma Rousseff para passear em Natal (RN) no carnaval.

Leandro Colon e Lisandra Paraguassu, O Estado de S.Paulo

08 Abril 2011 | 00h00

"Houve um equívoco no processo de autorização de viagem da passageira em questão, que não fazia parte da comitiva da presidenta da República", afirmou o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), em nota divulgada a pedido da própria presidente Dilma.

O Estado revelou ontem que Amanda Patriarca foi infiltrada, na última hora, nos voos de ida e volta para Natal pelo comandante do avião presidencial, coronel Geraldo Corrêa de Lyra Júnior, sem a ciência da presidente. A presença da professora no avião abriu uma crise no GSI, órgão responsável pela segurança de Dilma. A professora confirmou ao Estado que embarcou com autorização do comandante. Ontem, ele negou ter autonomia para conceder tal autorização e disse que a definição da lista de passageiros é prerrogativa da Presidência da República (veja o texto abaixo).

Segurança. Sem a comprovação documental de que alguma autoridade avalizou o embarque da passageira, o Palácio do Planalto decidiu divulgar uma nota em que admite o erro e afirma que, apesar disso, a segurança da presidente não foi afetada. "Todos os passageiros do voo em questão foram previamente identificados e submetidos aos procedimentos usuais de segurança", diz a nota.

A preocupação do governo foi demonstrar que a proteção da presidente não tem falhas. Internamente, a atitude do coronel Lyra Júnior foi considerada um abuso e uma ousadia ao rigor militar e à segurança da presidente.

A revelação do caso pelo jornal fez o Palácio do Planalto mudar de postura de um dia para o outro. A nota do GSI contrariou comunicado da assessoria de imprensa do Palácio do Planalto enviada ao Estado na quarta-feira. O Planalto informara que não poderia comentar a presença clandestina de Amanda no avião porque listas de passageiros de voos presidenciais "não são passíveis de divulgação, total ou parcial". Ontem, antes da divulgação da nota, o Planalto tentou montar versão às pressas para minimizar a quebra de segurança.

Responsável. De acordo com assessores da Presidência, a ordem autorizando a viagem de Amanda teria sido "dada de boca", contra a tradição do GSI, pelo chefe de gabinete de Dilma, Giles Azevedo.

Pelas regras habituais, o coronel Geraldo Lyra deveria ter feito pedido por escrito, uma espécie de memorando, ao gabinete da Presidência para que fosse avaliada a autorização oficial da presença de Amanda no voo presidencial - nesse tipo de viagem, apenas Dilma tem a prerrogativa de convidar passageiros.

Como isso não ocorreu, a alternativa foi usar a palavra "equívoco" para justificar o ocorrido. A professora é irmã de Angélica Patriarca, uma das nove comissárias de bordo do avião presidencial selecionadas recentemente pela Força Aérea Brasileira.

Ao Estado, na quarta-feira, Amanda contou que o coronel Geraldo de Lyra é "amigo" de sua família. Ela disse ter sido avisada, um dia antes do embarque, de que poderia pegar carona no avião da Presidência da República. Todos ficaram em Natal a passeio entre 4 e 8 de março.

China. O coronel Geraldo Correa de Lyra Júnior foi autorizado, segundo o Diário Oficial da União da última segunda-feira, a comandar a tripulação que levará a presidente Dilma Rousseff para uma viagem de dez dias à China, a partir de hoje. Ele vai dirigir sete militares durante o trajeto de ida e volta. Ontem, o Estado indagou ao Palácio do Planalto se a presença dele estava confirmada após a revelação do episódio da "carona". Oficialmente, nenhuma resposta foi dada à reportagem.

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