Presidenciável do PT prepara divulgação de 'carta-compromisso'

Nada de taxação das grandes fortunas nem de controle social dos meios de comunicação. A campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência vai divulgar um texto enxuto, no estilo "carta-compromisso", com temas de consenso entre os aliados, dias antes da estreia do horário político na TV, em 17 de agosto.

Bastidores: Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2010 | 00h00

É uma estratégia sob medida para causar impacto. Não se trata de uma Carta ao Povo Brasileiro, como ficou conhecido o documento divulgado pelo então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, em junho de 2002, para acalmar o mercado. Pontos polêmicos, no entanto, como a defesa da descriminalização do aborto e do combate ao monopólio dos meios eletrônicos, ficarão de fora.

"Vão sair do papel, mas estão na cabeça das pessoas", afirmou ao Estado o coordenador do programa de governo, Marco Aurélio Garcia. "Para mim não há nada polêmico. Isso tudo é bobagem."

Na prática, o PT optou por um texto curto e genérico para evitar mais controvérsias. Serão lançados, depois, cadernos setoriais sobre os temas considerados mais relevantes, como "saúde", "educação" e "meio ambiente".

"O documento anterior acabou provocando desgaste desnecessário", disse o ex-ministro Roberto Amaral, vice-presidente do PSB, numa referência ao primeiro programa de governo registrado pelo PT no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com pontos que deram o que falar.

Eram as famosas "diretrizes", aprovadas no 4.º Congresso do PT, em fevereiro. Intitulada "A Grande Transformação", a plataforma continha propostas que se baseavam na terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos, como a realização de audiência prévia para a reintegração de áreas invadidas por sem-terra. Confusão armada, toda a polêmica foi "lipoaspirada" e o PT substituiu o texto enviado ao TSE.

A nova "carta-compromisso" terá fisionomia mais amena. A ideia é dar formato bem light à pregação do Estado forte para que o PSDB não carimbe em Dilma o rótulo de estatizante. Até o PSB, que insistiu na taxação das grandes fortunas, acabou se rendendo. "Vai ser um programa que não necessariamente reflete o pensamento do PSB, mas que o PSB não se sente mal em assiná-lo", resumiu Amaral. "Essas questões sem consenso devem ser tratadas pelo Congresso."

Vice de Dilma, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), terá agora papel mais ativo na campanha. A missão de Temer será percorrer Estados onde o PMDB está fragmentado e, pior, apoiando o candidato do PSDB, José Serra. São Paulo, Pernambuco e Mato Grosso do Sul estão na sua mira. Tudo para convencer o latifúndio peemedebista a se unir em torno de Dilma.

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