Presidente chama petistas e tenta conter insatisfação

Dilma convida ministros e dirigentes do PT para discussões periódicas; Rui Falcão, presidente da sigla, fará parte do grupo

Vera Rosa, Eduardo Bresciani e Rosa Costa, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2011 | 00h00

Disposta a se aproximar do PT, incomodado com a "faxina" promovida na Esplanada, a presidente Dilma Rousseff convidou ministros e dirigentes do partido para discussões periódicas com ela sobre o cenário político.

O grupo de conselheiros será composto não só por integrantes da coordenação de governo, mas também por petistas que ali não têm assento, como o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, e o presidente do PT, Rui Falcão.

Além de promover reuniões mensais com representantes da base aliada, do PMDB ao PDT, Dilma quer encontros específicos com o PT, enciumado com os afagos dela na direção de tucanos como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Dilma também participará de agendas como o 4.º Congresso do PT e o encontro com prefeitos e prefeitas da legenda, em setembro.

Ela e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversam toda semana e até agora não há crise de relacionamento. Mas atitudes tomadas por Dilma para conter o fisiologismo na Esplanada causam desconforto em petistas, incluindo ministros. A queixa é de que ela não mede as consequências de seus gestos, por falta de traquejo político, e pode pôr em risco a governabilidade.

Em conversas reservadas, dirigentes do PT, deputados , senadores e ministros dizem temer que as demissões ocorridas por ordem de Dilma carimbem o governo Lula como corrupto. Motivo: todos os ministros que saíram (Antonio Palocci, da Casa Civil; Alfredo Nascimento, da Agricultura; Nelson Jobim, da Defesa; e Wagner Rossi, da Agricultura) trabalharam com Lula.

Panos quentes. "Problemas acontecerão sempre e tanto o Lula quanto a Dilma, que foi chefe da Casa Civil no governo anterior, têm a marca da austeridade no combate à corrupção", disse o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), tentando amenizar o incômodo dos colegas. "O que está havendo é positivo, mas não vai se transformar numa bandeira de governo, até porque o combate à corrupção é obrigação de todos nós."

Para o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), Dilma fez a substituição na Agricultura "sem solavancos" ao nomear Mendes Ribeiro."A presidente afastou o clima de desconfiança na base aliada em relação aos episódios da semana anterior."

Teixeira também minimizou o desconforto dos colegas em relação à aproximação com os tucanos. Na quinta-feira, ela voltou a elogiar Fernando Henrique. "Ele está afastado da luta política. Fernando Henrique está sendo tratado por Dilma como ex-presidente", insistiu.

Na avaliação do líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), o tratamento de Dilma a Fernando Henrique é melhor porque ela respeita as instituições. "Ela sabe que presidente entrega o bastão e vira ex. O Lula não. Acha que o Brasil começou com ele e está apenas em um momento de interrupção."

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