Presidente cria força de elite para Estados

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aprovou ontem, durante reunião com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, no Palácio do Planalto, a criação de uma força federal para atuar nos Estados - a Força Nacional de Segurança Pública. Será uma força tática, uniformizada e armada, organicamente integrada à Polícia Federal, que reunirá os melhores policiais dos Estados e do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal (COT). Com sua criação o governo pretende evitar o envio das Forças Armadas para ajudar as polícias estaduais no combate ao crime, como aconteceu recentemente no Rio de Janeiro, no Piauí e em Minas Gerais. Ainda este ano o governo treinará 1.500 homens para essas forças especiais. No encontro de Lula com o ministro da Justiça foi discutida também a inauguração, na segunda quinzena de julho, do Instituto Nacional de Identificação Digital, que será vinculado ao Ministério da Justiça e à Polícia Federal. A Força Nacional de Segurança Pública vai ficar diretamente subordinada ao Ministro da Justiça. A intenção é unir diferentes forças policiais com treinamentos distintos e unificar o adestramento. "O objetivo é ter uma força que tenha condições de apoiar os Estados quando houver necessidade de auxiliar as polícias civil e militar", disse o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Armando Félix, que considera o projeto "excelente". A idéia nasceu no final do ano passado, quando se agravou o problema da violência no Rio de Janeiro, e foi desenvolvida dentro da Secretaria Nacional de Segurança Pública. "É muito boa porque quando você tem um problema que pode envolver emocionalmente as pessoas de uma cidade, é interessante trazer gente de fora, não diretamente ligada ao problema". Para o general, "fica mais fácil conduzir a segurança pública nestas circunstâncias e temos a convicção de que a idéia vai dar certo". ExperiênciaO projeto inicial era treinar 125 homens do COT, do Batalhão de Operações Especiais da PM do Rio (Bope) e do Grupo de Ação de Táticas Especiais (GATE) de São Paulo. "Enquanto o COT da PF tem experiência em operações de risco, o Bope do Rio tem uma larga experiência em morros e favelas. O que se quer é unir todas as especificidades na nova tropa", diz uma fonte do governo. Pelos estudos que vêm sendo tocados na Secretaria Nacional de Segurança Pública, o novo grupo de elite passaria a ter cerca de 3.500 integrantes com treinamento de campo. O COT é uma bem-sucedida unidade de elite, hoje formada por 600 agentes e delegados de alta qualificação voltados para a repressão ao crime organizado. Nos EUA, o Federal Bureau of Investigation (FBI), equivalente à PF, mantém um time de tamanho não revelado (mas estimado em cerca de 17 mil agentes) coordenado por um Centro Tático Nacional. Usualmente é ativado em missões antiterrorismo, resgate de reféns e de enfrentamento armado dentro do país. Até agora, a idéia vinha sendo tratada com cautela no Planalto. Em maio de 2003, recomendou-se que a criação da força especial não se tornasse fator de tensão entre as áreas envolvidas. Na PF, muitos não escondem o temor de que, para a formação da nova unidade, os requisitos de admissão na PF sejam relaxados.

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