Presidente culpa 'olho gordo' por atraso de obra

'É um verdadeiro inferno concluir um projeto desta magnitude', diz Lula sobre a construção da Transnordestina

Leonêncio Nossa, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2010 | 00h00

SALGUEIRO (PE)

O presidente Lula pôs a culpa na Justiça, no Ministério Público, nos ambientalistas e nas pessoas de "olho gordo" por deixar no papel boa parte do trecho da ferrovia Transnordestina, projetada para ligar Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto de Suape, em Pernambuco. "É um verdadeiro inferno concluir um projeto desta magnitude", reclamou, num canteiro de obras em Salgueiro, a 518 quilômetros do Recife.

Foi a quarta viagem de Lula para participar de festa de "início" de obras da ferrovia. Ao lançar o projeto em Missão Velha, Ceará, em plena campanha pela reeleição, em junho de 2006, ele disse que a Transnordestina seria a "redenção" do Nordeste. Ontem, diretores do consórcio de construção da ferrovia informaram ao presidente que apenas 30% das obras de terraplenagem foram concluídas. A obra não ficará pronta antes de dezembro de 2012.

No ano passado, ele chegou a afirmar que iniciaria as obras de todos os lotes ao longo dos 2.278 quilômetros de ferrovia. O maior atraso está no trecho final em Pernambuco, entre Belém de Maria e Escada (55 quilômetros) e de Escada a Suape (64 quilômetros). Nestes dois lotes, os contratos para início das obras não foram assinados.

Ontem, o presidente conheceu uma máquina importada que produzirá os dormentes de concreto para dar suporte aos trilhos. A visita de "inauguração da fábrica de dormentes", como o Planalto divulgou, estava programada para março último, mas foi cancelada porque a máquina não chegou a tempo.

A uma plateia formada por trabalhadores do canteiro de Salgueiro, o presidente se queixou de juízes, que teriam aceito pedidos de interrupção das obras por parte de quem reclamava indenização de terras. "Não pensem que é fácil fazer as coisas. Vocês não sabem que a inveja é uma doença", disse. "Não tem nada pior do que olho gordo."

Mais tarde, ao visitar uma escola técnica em Salgueiro, Lula aproveitou para criticar os tucanos e até d. Pedro II. Sem poder inaugurar a obra dos seus "sonhos", como define a ferrovia, Lula disse que os governantes anteriores não priorizaram a região. Ele afirmou que o governo Fernando Henrique não investiu em ensino profissionalizante. Já d. Pedro II foi atacado por não levar à frente a obra da transposição do Rio São Francisco. "Por que d. Pedro II, o todo poderoso, não conseguiu fazer o canal e um torneio mecânico conseguiu?", esbravejou. As obras de transposição também estão com cronograma atrasado. / L.N.

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