Presidente da Anac prevê tarde complicada nos aeroportos

O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, afirmou que espera um "dia muito complexo nos aeroportos do País" nesta quarta-feira. De acordo com ele, essa expectativa deve-se ao fato de que, na terça-feira, uma pane nos equipamentos de rádio que fazem a comunicação entre o Cindacta-1, de Brasília, e os aviões monitorados por este setor provocou um novo apagão no tráfego aéreo do País. Com o incidente, a Anac decidiu suspender as decolagens noturnas nos aeroportos de Brasília, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Somente a ponte aérea Rio-São Paulo operou normalmente. Na manhã desta quarta-feira, o tempo médio de espera dos passageiros era de duas a três horas. No entanto, havia vôos com atraso de até 12 horas. Na terça-feira, alguns passageiros chegaram a esperar mais de seis horas dentro do avião e outros passaram a noite nos saguões dos aeroportos. De acordo com um boletim da Anac, dos 1,241 vôos programados para esta terça-feira, 350 registraram mais de uma hora de atraso."É como uma grande enchente em que a água enche mais rápido do que esvazia", disse Zuanazzi, ao chegar na abertura do 6º Congresso da Associação Brasileira de Empresas de Transporte Aéreo Regional (Abetar). "Por isso o dia de hoje será bastante complexo". Segundo o presidente da Anac, os brasileiros não precisam ter medo de voar por conta dos recentes tumultos nos aeroportos, já que, de acordo com ele, a segurança nos vôos está garantida. "Todo o sistema está atento para não permitir vôos sem segurança".Ao ser questionado se a Anac tem confirmação de que houve sabotagem no sistema, Zuanazzi acrescentou que a agência não pode fazer acusações sobre as causas dos problemas técnicos ocorridos nesta terça-feira. Ele apenas afirmou que a Aeronáutica está investigando o caso.Para o presidente da Anac, a realização de um congresso como o da Associação Brasileira de Empresas de Transportes Aéreos (Abetar), nesta quarta-feira, que vai discutir saídas para o crescimento do setor aéreo regional, não significa uma coincidência infeliz, já que nos últimos dois meses os problemas nos aeroportos têm afetado as ofertas de vôo e a procura de passageiros pelas companhias."O que temos vivido nos últimos dias é uma crise passageira e não é por causa dela que temos que paralisar os projetos de crescimento das empresas", disse. "O importante é continuar investindo em infra-estrutura, equipamentos e pessoal". O presidente da Anac acrescentou que, desde 2000, a infra-estrutura aeroportuária no País melhorou consideravelmente.TerrorO presidente da Anac criticou nesta quarta-feira o "clima de terror" que estaria sendo criado pelas insinuações de que a existência de "pontos cegos" no espaço aéreo brasileiros colocam em risco a segurança dos passageiros. "A quem pode estar interessando fazer esse clima de terror?", indagou Zuanazzi. "Não há base lógica para esse clima, porque tudo está sendo feito em nome da segurança", afirmou, durante a palestra de abertura do 6º Congresso da Abetar.Ao comentar a crise do setor aéreo, o presidente da Anac afirmou que o fato deve ser encarado como uma chance de renovação e melhoria para o futuro. De acordo com ele, isso não significa ignorar a existência dos problemas, mas apenas enfrentá-los com tranqüilidade.Ao deixar o evento, Zuanazzi disse aos jornalistas que espera que nesta quinta-feira todos os transtornos provocados pelos atrasos e cancelamentos estejam resolvidos. "O problema de ontem foi causado por um link que pifou e já foi consertado", disse.O presidente da Anac afirmou que não há previsão de um novo encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nesta terça-feira convocou uma reunião de emergência para discutir os problemas no setor aéreo. "Ele determinou a compra do equipamento reserva e isso será feito", concluiu Zuanazzi.Colaborou Isabel Sobral

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