Presidente da Beija Flor defende legalização do jogo do bicho

No pátio da carceragem da Polícia Federal, o presidente da escola de samba Beija Flor, Farid Abrão David, defendeu neste sábado, 14, a legalização do jogo no Brasil. Depois de visitar o irmão Anísio Abraão David, preso na operação Hurricane (furacão, em inglês), o dirigente da escola de samba cobrou do Congresso Nacional uma posição definitiva sobre o jogo no País. Segundo ele, os recursos arrecadados com a legalização do jogo poderiam ser usados nas áreas de segurança e saúde. "O que há nesse país é hipocrisia. O juiz dá uma liminar que pode ter o jogo do bicho e outro juiz vai e caça. Está faltando o Congresso sentar no problema e resolver definitivamente. Isso é primordial", disse Farid. Ele questionou o fato de alguns jogos, com a loteria, serem legais no País e não o jogo do bicho: "Em todo o País se joga. Por que pode ter a loteria e não pode o jogo de bicho. `Por que há várias modalidades de jogo oficiais, até pelo governo do Estado?". Segundo ele, deveria ser aprovada uma lei específica para o jogo, com regras claras. "Ninguém coloca o revólver na cabeça de ninguém para jogar. Joga quem quer. É lógico que terá suas normas, suas regras, uma lei específica". Ele lembrou que em grandes países desenvolvidos o jogo é legal , garantindo receitas. Visita Acompanhado do advogado Ubirantan Guedes, Farid levou uma mala de roupas e água para o irmão, que foi preso da manhã de sexta-feira, 13, na sua residência, quando dormia no seu quarto. Ele escolheu apenas duas camisas e duas bermudas e mandou de volta o resto das roupas. Com problemas cardíacos, Anísio, de 70 anos, levou os remédios de casa. Farid contou que o Anísio está tenso com a prisão, mas tem esperança de ser solto imediatamente após o depoimento, marcado para a tarde deste sábado. Contudo, o advogado disse que Anísio ficou muito deprimido com a prisão. "Ele está muito mal. Esta chateado, deprimido pelas condições desumanas que foi apanhado em casa, sem roupa. A imputação não verdadeira. Ele afirma que não tem conhecimento dos fatos em razão das pessoas que são citadas", disse. A operação A Operação Hurricane (Furacão, em inglês), realizada pela Polícia Federal na sexta-feira, 13, realizou 25 prisões nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e no Distrito Federal e ocorreu após um ano de investigações, ordenadas em uma operação sigilosa pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) César Peluzzo. A operação teve como objetivo desarticular uma organização criminosa que atuava na exploração do jogo ilegal e cometia crimes contra a administração pública. Foram cumpridos 70 mandados de busca e apreensão e 25 mandados de prisão contra chefes de grupos ligados a jogos ilegais, empresários, advogados, policiais civis e federais, magistrados e um membro do Ministério Público Federal. Na operação a Polícia Federal apreendeu 30 carros de luxo, uma moto e uma grande quantidade de dinheiro, sendo necessário um carro-forte para o transporte até uma agência da Caixa Econômica Federal. A investigação começou há um ano na 6ª Vara Federal do Rio, com a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho e, em setembro de 2006, foi remetida pelo procurador geral da República, Antônio Fernando de Souza, para o Supremo Tribunal Federal, devido ao surgimento do nome do ministro do Supremo Tribunal de Justiça Paulo Medina. A partir de então, o inquérito 2.424/2006 passou a ser presidido pelo ministro do STF Cézar Peluso. Ele autorizou a instalação de escuta, inclusive no gabinete de Carreira Alvim, cujos microfones foram descobertos no forro do teto. Alvim, que disputava a presidência do TRF, acusou na época a direção do Tribunal pelos grampos. Na eleição, ele foi derrotado por 15 votos a nove. Os presos - Ailton Guimarães Jorge - bicheiro, conhecido como Capitão Guimarães, é presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro - Ana Claudia Rodrigues do Espírito Santo - Anísio Abrão Davi - bicheiro e presidente de honra da Beija-Flor - Antonio Petrus Kallil - bicheiro, conhecido como Turcão - Carlos Pereira da Silva - delegado da Polícia Federal de Niterói - Delmiro Martins Ferreira - Ernesto da Luz Pinto Dória - juiz do Trabalho do TRT da 15ª Região (Campinas, SP) - Evandro da Fonseca - advogado - Francisco Martins da Silva - Jaime Garcia Dias - advogado - João Sérgio Leal Pereira - procurador da República. Suspeito de integrar esquema de fraudes em sentenças judiciais ao lado do desembargador Ivan Athié. Está afastado do cargo. Foi preso na Bahia. - José Eduardo Carreira Alvim - ex-vice-presidente do TRF-2.ª Região, do Rio de Janeiro e Espírito Santo, e desembargador federal - José Luiz Rebello - José Renato Granado Ferreira - empresário - José Ricardo de Figueira Regueira - desembargador federal - Júlio Guimarães Sobreira - Laurentino Freire dos Santos - Licínio Soares Bastos - Luiz Paulo Dias de Mattos - delegado da Polícia Federal - Marcos Antônio dos Santos Bretas - Paulo Roberto Ferreira Lima - Sérgio Luzio Marques de Araújo - advogado e irmão do juiz federal Marcelo Luzio - Silvério Néri Cabral Junior - advogado - Susie Pinheiro Dias de Mattos - delegada da Polícia Federal. Estava licenciada para exercer o cargo de corregedora da Agência Nacional do Petróleo (ANP), com função era combater as fraudes de combustíveis. - Virgílio de Oliveira Medina - advogado. Irmão do ministro do STJ Paulo Medina

Agencia Estado,

14 Abril 2007 | 16h28

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