Presidente da Câmara depõe na PF

Ele prestou esclarecimentos sobre esquema de tráfico de influência e corrupção que manteve W.E. Aberto

Rodrigo Pereira e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2008 | 00h00

O presidente da Câmara de São Paulo, Antonio Carlos Rodrigues (PR), foi ontem à Polícia Federal para dar explicações sobre informações publicadas pelo Estado, na segunda-feira, de sua suposta participação no esquema de tráfico de influência e corrupção que manteve aberto o prostíbulo W.E. - base da quadrilha acusada de desviar dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), explorar prostituição e traficar mulheres para a Europa.Carlinhos repetiu a mesma versão dada ao jornal: confirmou que recebeu o lobista da organização, o coronel reformado da Polícia Militar Wilson de Barros Consani Junior, mas cortou o contato assim que descobriu que o flat e o bar da Rua Peixoto Gomide eram, na verdade, um dos mais exclusivos endereços da prostituição em São Paulo. Ali, um programa com uma garota podia custar até R$ 10 mil.Segundo a PF, Carlinhos foi intimado para depôr na segunda-feira pelo delegado Rodrigo Levin, responsável pela Operação Santa Tereza, deflagrada em 24 de abril. "Fui eu quem procurou a PF e o Ministério Público", afirmou o vereador. Nervoso, Carlinhos disse querer esclarecer "o quanto antes tudo isso, para processar vocês". Ao ser questionado sobre o teor de seu depoimento, o vereador foi seco: "Não lhe devo satisfação."Escutas da PF flagraram o presidente da Câmara atendendo Consani em 1º de abril. Nos dias seguintes, Fabiano Alonso, genro e homem de confiança de Carlinhos, manteve cinco contatos com Consani, nos quais assegura que o sogro vai ajudar a manter o prostíbulo aberto. Diz que Carlinhos vai tratar do assunto com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) - o vereador e Kassab, porém, negam que isso tenha ocorrido.No dia 18, Manuel Fernandes de Barros Filho, o Maneco, acusado de ser o dono da W.E., diz ao dono do prédio que abrigava a boate, o construtor Felício Makhoul, que o problema com a Prefeitura estava resolvido, mas "ia ter um custo de campanha".Depois de ouvir Carlinhos, Levin decidiu encaminhar as provas envolvendo autoridades policiais e municipais para a Promotoria de Justiça da Cidadania e afirmou que não vai intimar mais ninguém, além do coronel Consani, para apurar a razão pela qual a W.E. permaneceu aberta até 25 de abril. Consani teve seu depoimento, que estava marcado para ontem, transferido para a próxima semana.As Corregedorias das Polícias Militar e Civil de São Paulo também procuraram a PF, em busca das provas sobre o envolvimento de policiais com a quadrilha. O Estado mostrou ontem que Consani fazia tráfico de influência dentro da polícia e distribuía "mimos", como ingressos e camarotes na 13ª Festa de Peão de Osasco para coronéis da cúpula da PM. Além disso, a contabilidade da W.E. registrava pagamentos para "segurança externa PM" e "segurança coronel"."A preocupação do meu cliente é ser ouvido pela Justiça em relação à Operação Santa Tereza, o que até agora, estranhamente, não foi feito", afirmou o advogado Fábio Cavalheiro.

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