Presidente da CNBB critica corrupção no governo Lula

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Geraldo Majella Agnelo, criticou em entrevista, nesta quarta-feira, 30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as denúncias de corrupção contra seu governo e a opção do Planalto por privilegiar o capital. "A preocupação pela economia deixou realmente para trás o que era mais importante", declarou, ao comentar a declaração feita antes pela confederação de que o projeto do governo de transformação foi substituído por projeto de poder. "Não se pode só privilegiar o capital, o dinheiro. Tem de privilegiar o trabalho, o trabalho humano, o trabalho digno, e o trabalho para todos", acrescentou. Agnelo falou ainda da sua preocupação com a corrupção, dizendo que "não podemos conviver com a corrupção, ao ponto que ela chegou", lembrando que "sempre há uma tentação". Ao comentar como a corrupção está "difundida", e o mau exemplo que ela traz, questionou: "ela é um mau exemplo para todos e especialmente para o próprio povo, que vendo que seus dirigentes estão tão assim envolvidos, como não se sentirão?". "Qualquer um que venha, seja ele qualquer um, nós nos preocupamos com o futuro", afirmou.Questionado se o presidente Lula é um dos principais responsáveis pela corrupção, D. Geraldo respondeu: "colocar toda culpa nele". O presidente da CNBB recomendou aos eleitores que verifiquem exatamente em quem votar e cobrem dos políticos suas ações. Na opinião de Agnelo, os políticos não estão seguindo as últimas palavras ditas por dom Luciano Mendes de Almeida - que foi velado nesta quarta - e repetidas por Lula em seu discurso, de que não se esqueçam dos pobres. "Não parece que estejam seguindo à risca porque esta situação de miséria e de pobreza é de alguma coisa que clama aos céus", disse. Ao ser lembrado que Lula insiste em seus discursos que foi o presidente que mais fez pelos pobres, Agnelo disse que "é impossível que ele não tivesse feito alguma coisa. Mas nós esperamos muito mais". Sobre o programa de governo apresentado por ele para um segundo mandato, Agnelo disse que não o leu ainda e não sabe exatamente o que traz sobre questão social.

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