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‘É um alerta para o estilo consumista’, diz presidente da CNBB sobre encíclica

Para estudiosos, a encíclica consolida o caráter pastoral do papa

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2015 | 18h55

Atualizada às 21h04

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Sergio da Rocha, afirma que a encíclica será referência não apenas para a Igreja, mas para o mundo. “Ela alerta para o estilo consumista que adotamos, para o desperdício.” D. Leonardo Steiner, secretário-geral da CNBB, ressalta o cuidado adotado no texto para mostrar os reflexos na área social. “É uma conversão ecológica. Isso é muito importante, porque pressupõe um ajuste da fé.”

Para estudiosos da Igreja, a encíclica consolida o caráter pastoral de Francisco. “O segredo de sua liderança está no fato de que ele é espiritual e dá testemunho de sua vida profunda com Deus”, diz o teólogo Francisco Catão. “Ele assume posição de quem fala como homem, como cristão, como pastor.”

“As pessoas têm de entender que o objetivo da encíclica é apoiar os ecologistas em sua luta”, afirma o biólogo e sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “O papa coloca sua autoridade moral e da Igreja a serviço da causa ambiental.”

“O papa acredita que o mesmo ser humano que não soube cuidar de sua casa é capaz de converter seu modo de pensar e agir para reconstruir o planeta, como Francisco reconstruiu a Igreja”, afirma o jornalista Roberto Zanin, porta-voz da prelazia Opus Dei no Brasil.

Cardeais. O cardeal d. Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, afirmou que as advertências e os apelos do texto se dirigem a todos, não só aqueles que ameaçam, mas também a quem já causou danos ao meio ambiente. Já o cardeal arcebispo do Rio, d. Orani Tempesta, pontua que o documento trata como indissociáveis a ecologia e as questões sociais. “Fala da ecologia integral e para todos. Estamos no mesmo barco.” 

O monsenhor Joel Portella, coordenador arquidiocesano de Pastoral do Rio, realçou o fato de o texto ser endereçado a “cada pessoa que habita esse planeta”, e não a bispos e arcebispos. / JOSÉ MARIA MAYRINK, EDISON VEIGA, LÍGIA FORMENTI e ROBERTA PENNAFORT

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