Presidente da Estácio de Sá é enterrado no Rio

Foi enterrado no final da tarde desta terça-feira, 10, no Cemitério do Pechincha, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, o corpo do presidente da escola de samba Estácio de Sá, o policial civil Flávio José Eleotério, de 48 anos, que foi morto com quatro tiros na noite de segunda-feira, 9. O corpo dele foi encontrado no porta-malas do seu carro, um Kia Sedan, deixado numa rua paralela à Avenida Brasil, em Bonsucesso, zona norte da cidade. O crime será investigado pelo DH-Forte, grupo de elite da Delegacia de Homicídios. Eleotério esteve no barracão da escola, na Cidade do Samba, até as 19 horas. De lá, ele seguiria para casa, em Jacarepaguá, na zona oeste. Uma hora mais tarde, policiais militares desconfiaram do carro abandonado na Rua da Regeneração, com a porta aberta. O motor ainda estava quente, o que significa que o veículo havia sido deixado ali momentos antes. De acordo com a polícia, Eleotério foi morto dentro do porta-malas. Os peritos encontraram ali três estojos do calibre ponto 40, o mesmo da arma que era usada pelo policial e que foi levada pelos criminosos. "Ele pode ter sido morto com a própria arma", disse o delegado Jader Amaral, da 21.ª Delegacia de Polícia, que iniciou as investigações sobre o crime. Amaral acredita que Eleotério tenha sido vítima de assalto e foi morto depois que os criminosos encontraram a carteira funcional de investigador. No carro da vítima, os peritos encontraram o fecho de um cordão de ouro, cartões de crédito e a identidade funcional. O celular, o rádio Nextel, a arma e cerca de R$ 1 mil que Eleotério costumava levar no bolso da calça foram levados. Uma marca de batida na lateral direita do carro leva os policiais a acreditarem que Eleotério sofreu uma fechada no trânsito. "Ele pode ter sido abordado em outro local e deixado ali. Ainda não sabemos onde ele foi apanhado", afirmou Amaral. Nesta terça, policiais da DH-Forte estiveram na quadra da Estácio de Sá, pouco antes do velório, para intimar integrantes da diretoria que estiveram com Eleotério na noite de segunda-feira. "Desde que tomamos posse, não houve briga interna. Ele nunca mudou ninguém da direção. O clima era muito bom", disse o diretor de carnaval, Marco Aurélio Fernandes. Eleotério sofria de hanseníase e estava licenciado da Polícia Civil há um ano e meio. Estava à frente da Estácio de Sá desde 2002, escola que volta a desfilar no Grupo Especial no próximo carnaval, depois de passar 9 anos nos grupos de acesso. Ele era casado e tinha duas filhas, de 11 e 3 anos. O velório começou no fim da manhã. O bicheiro Carlos Teixeira Martins, o Carlinhos Maracanã, patrono da escola, passou rapidamente pela quadra. Diretores, carnavalescos e integrantes de outras escolas de samba também estiveram na Estácio para homenagear o colega. "Esse episódio será muito ruim para a história do carnaval. Ele era uma pessoa que vinha trabalhando com muita seriedade", disse o carnavalesco Paulo Barros, da Viradouro, que trabalhou na Estácio no último carnaval.

Agencia Estado,

10 Outubro 2006 | 21h42

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