Presidente da Febem afasta 34 funcionários

A Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) afastou nesta quinta-feira, por tempo indeterminado, 34 funcionários que estavam no plantão do domingo, na unidade 31, quando ocorreu um motim no Complexo de Franco da Rocha. Entre o dia 8 e esta quarta-feira houve quatro rebeliões em Franco da Rocha - três em menos de uma semana.Além desse grupo de agentes, que ficará afastado, mais de 60, em todo o Estado, serão transferidos para funções administrativas. A decisão foi tomada no dia em que o Estado publicou reportagem na qual conselheiros tutelares denunciavam a participação de agentes da Febem na rebelião desta quarta-feira."Determinamos o afastamento provisório, sem prejuízo de seus vencimentos, até que a sindicância apure se há ou não envolvimento de funcionários nos motins", disse o presidente da entidade, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa. A sindicância foi determinada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).Segundo ele, essa medida visa a garantir a idoneidade dos funcionários e deve facilitar a apuração. "Antes da ocorrência da rebelião (quarta-feira), eu já havia sido procurado pela comissão processante, que apresentou sérios indícios de que funcionários estariam facilitando essa situação (a rebelião)", disse ele. Os nomes dos agentes serão mantidos em sigilo, até a conclusão da sindicância.As conselheiras tutelares Patrícia Kelly Ferreira e Marina de Lourdes Onofre estavam no complexo quando começou o motim de quarta-feira, o terceiro em menos de uma semana. Elas disseram ao Estado, por celular, que funcionários insuflaram a rebelião, abrindo as celas e instigando os internos.Agora, serão ouvidas pela sindicância. "Seriam pessoas interessadas em desestabilizar o novo presidente, que tem se mostrado sensível a toda essa precariedade da Febem", afirmou o membro da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Francisco Lúcio França.Depois de anunciar que a unidade 31 será fechada em seis meses, e a unidade 30, em até um ano, Costa afirmou que pediu a transferência para cargos administrativos de "65 a 67" funcionários, que respondem a processos por crimes contra a pessoa ou são indiciados.Vinte e sete dos 231 menores da unidade 31 de Franco da Rocha foram transferidos na madrugada desta quinta-feira para a Febem de Iaras, no interior do Estado. Outros 12 internos, maiores de 18 anos, foram levados para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Campinas, onde responderão por crimes como formação de quadrilha, resistência à prisão e aliciamento de menores.Entre eles está Edvaldo José de Araújo, de 20 anos, o Baianinho. Os demais internos devem permanecer em Franco da Rocha, para não superlotar outras unidades. "Apesar dos estragos causados na rebelião, o pessoal de obras disse que é possível mantê-los lá", garantiu Costa.Nesta quinta-feira à tarde, houve um princípio de tumulto na unidade 30. Os internos pediam a ampliação do horário de visita íntima. A situação foi controlada à tarde, sem feridos.Alckmin, que pediu o estudo da participação de funcionários em rebeliões, disse nesta quinta que não descarta a possibilidade de novos levantes na Febem, já que "o problema não se resolve em 24 horas"."Vai ter mais algum problema durante umas semanas, mas não tenho dúvida de que estamos no caminho correto, com uma boa equipe, nova direção na Febem e a atuação da Secretaria da Educação."Para ele, é "estranha" a ocorrência de três rebeliões em menos de uma semana, no Complexo de Franco da Rocha. "É estranha essa questão localizada em duas unidades. Vamos apurar", disse. "O governo não vai retroagir um milímetro na determinação de criar esse novo modelo de unidades menores, com os adolescentes perto das famílias."

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