Presidente da Infraero faz balanço positivo dos aeroportos

O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, considerou um sucesso as medidas emergenciais tomadas para conter a crise gerada pela operação-padrão dos controladores de vôo, mas alerta para a necessidade de tomar ações definitivas.Para resolver o problema que gerou um caos nos aeroportos de todo o País nos últimos dez dias, é preciso, segundo ele, investir em contratação de pessoal, compra e modernização de equipamentos e aumento de recursos destinados ao setor.O brigadeiro não soube prever até quando as medidas de reforço da operação de controle aéreo surtirão efeito. "Até quando essas medidas emergenciais vão manter o ritmo normal nos aeroportos, se duas semanas, três semanas, até o Natal ou Ano Novo, nós não sabemos", afirmou.Ele fez um balanço positivo do movimento dos aeroportos em todo o Brasil no fim do feriado prolongado. Segundo Pereira, só houve um atraso significativo, de uma hora e dez minutos, em um vôo que partiu de Salvador com destino a São Paulo.Durante todo o domingo foram cerca de 1.740 decolagens em todo o País, com aproximadamente 209 mil passageiros, considerando uma média de 120 pessoas por vôo. O balanço do presidente da Infraero foi feito por volta das 20 horas deste domingo, ainda durante o movimento de pico. A estatal vai continuar acompanhando os vôos até o fim da noite, mas o brigadeiro adiantou que a empresa estava preparada para atender uma demanda maior de passageiros do que a que foi registrada neste domingo.O movimento no aeroporto internacional de Brasília, o terceiro maior do País, também ficou dentro do normal. A maioria dos vôos, segundo a Infraero, chegaram e saíram nos horários previstos. Os atrasos de alguns pousos e decolagens não ultrapassaram meia hora.PermanênciaO aparente sucesso da operação montada pelo brigadeiro Luiz Carlos Bueno, com a convocação dos controladores de vôo para garantir o pleno funcionamento do fluxo de pousos e decolagens no país, na volta do feriado de finados, não é garantia de sua permanência no cargo. O brigadeiro está sob fogo cruzado do Planalto, comandado pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, por determinação do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, Bueno desagradou também o ministro da Defesa, com seu modo radical de agir com os controladores, o que o levou a conversar diretamente com os sargentos que atuam no tráfego aéreo.Existe ainda a informação de que o brigadeiro até fez uma carta de demissão, para a eventualidade de ver que sua situação não tem saída, embora autoridades aeronáuticas neguem a existência do documento.Neste domingo, o próprio Bueno adicionou mais um ingrediente no caldo da crise, ao publicar na página da Aeronáutica na internet um agradecimento à solidariedade de seu colega do Exército, general Francisco Albuquerque.Além de desagradar o Exército, que se viu, de repente, envolvido em uma crise que não é sua, integrantes do governo acharam que o comandante da Aeronáutica tentou dar uma demonstração de força para garantir a permanência no cargo, por ter apoio de outra força. Essa estratégia foi muito mal vista e condenada não só na área militar como em outros setores do governo. A crise entre Aeronáutica e Defesa é considerada complicada. Bueno até tem a solidariedade dos militares, por causa da posição do ministro da Defesa, de querer conversar diretamente com os controladores, que são sargentos, sem a presença de seus superiores.Na semana passada, Pires foi a uma sala de videoconferência na Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), considerado território neutro, para ouvir os controladores e colocá-los para conversar com o ministro-sindicalista Luiz Marinho (Trabalho), deixando de fora da sala um brigadeiro, que foi ao local acompanhando os sargentos.Até o início da noite deste domingo, a operação montada por Bueno de volta do feriado estava sendo considerada um sucesso e comemorada não só pela Aeronáutica. Defesa e Palácio do Planalto também ficaram eufóricos, porque querem encerrar o quanto antes a crise, nascida quando Lula ainda tentava respirar e aproveitar a reeleição.Porém, a reunião prevista para esta terça-feira, na Casa Civil, com a ministra Dilma, para a qual estão convocados os ministros da Defesa e do Trabalho, além de controladores de vôo, poderá dar um novo tom à crise, caso o Comando da Aeronáutica não seja mesmo convidado para sentar à mesa.

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