Presidente da Infraero pede demissão

Para o lugar de Gaudenzi foi formalmente convidado Guilherme Lagger, atual superintendente da Rede Bahia

Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo,

03 de dezembro de 2008 | 00h22

O presidente da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), Sérgio Gaudenzi, entregou no início da tarde de terça-feira, 2, ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, a carta de demissão do cargo. Ele não concorda com o programa de privatização de aeroportos rentáveis, mas o ministro Jobim disse ao Estado, no início da noite de terça-feira, que a concessão à iniciativa privada dos "aeroportos do Galeão, Viracopos (Campinas) e o futuro terceiro aeroporto de São Paulo" é "assunto vencido" no governo.   Veja também Exército irá ajudar em obras no Aeroporto de Guarulhos Infraero dependeria do Estado mesmo privatizada, diz Gaudenzi   Para o lugar de Gaudenzi foi formalmente convidado Guilherme Lagger, atual superintendente da Rede Bahia, da família do ex-senador Antonio Carlos Magalhães, que já integrou a direção da Vale do Rio Doce e da companhia de bebidas AmBev. A indicação de Lagger, que ainda não deu resposta a Jobim, tem o dedo da direção do BNDES, que está encarregada de estudar o modelo de privatização dos aeroportos.   Na carta de demissão, de duas laudas, Gaudenzi apresenta as razões pelas quais não concorda com a privatização pontual de aeroportos e volta a defender a abertura do capital da Infraero como melhor solução para o setor. Essa solução é defendida pela maioria dos diretores da estatal - com a saída de Gaudenzi, todos os diretores podem deixar seus cargos. Gaudenzi não concorda com a venda dos aeroportos rentáveis, a começar pelo Galeão e Viracopos, duas das unidades entre as dez que realmetne dão lucro - ao todo, a Infraero administra 68 aeroportos. Ao contribuinte restaria o ônus de sustentar os que dão prejuízo por estarem em cidades de menor movimento aeroportuário.   Os estudos para a privatização dos aeroportos administrados pela Infraero estão sendo feitos em conjunto pelo BNDES e a presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Solange Paiva Vieira. A decisão de dar andamento à concessão levou em conta as pressões do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), que defende a venda do Galeão para a iniciativa privada.   Militares também vêm manifestando preocupação em relação aos sete aeroportos que funcionam de forma compartilhada com bases aéreas - Rio de Janeiro, Guarulhos, Manaus, Fortaleza, Belém, Natal e Recife. Não há modelo semelhante no mundo para que se possa verificar se esse tipo de privatização é viável. Há duas semanas, antigos servidores da Infraero montaram uma associação "em defesa da empresa", que terá sua primeira assembléia na próxima segunda-feira. Eles enviaram correspondência a Jobim e a diversas autoridades, apontando razões para que os aeroportos não sejam privatizados.   Lembram que a concessão de aeroportos só pode ser feita após aprovação pelo Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac)e pelo presidente da República e alegam que, no caso do Galeão, as soluções dos problemas existentes já estavam em andamento pela Infraero. No caso de Campinas, dizem, "não há qualquer motivo" para sua inclusão no programa. Destacam ainda que, se concretizada a privatização, a idéia "comprometerá a sustentação financeira da rede Infraero", cujo modelo se baseia no uso de recursos gerados pelos aeroportos superavitários para sustentar os deficitários. As tarifas aeroportuárias cobradas das companhias aéreas, que estariam abaixo da média, tenderiam a aumentar e a impactar o preço das passagens, avaliam os servidores.

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