Presidente da Infraero vai depor sobre a crise aérea

A base aliada ao Palácio do Planalto na Câmara foi bem sucedida na operação para arquivar a CPI do Apagão Aéreo, mas nem assim o governo vai se livrar de dar explicações ao Congresso. Com o patrocínio de um integrante da base, a Comissão de Viação e Transportes aprovou um requerimento convidando o presidente da Infraero a prestar esclarecimentos sobre a crise do transporte aéreo. O brigadeiro José Carlos Pereira já aceitou o convite e seu depoimento foi marcado ontem para o dia 11 de abril.O autor do requerimento à Infraero é o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS), que preside a Comissão de Transportes da Câmara. Embora o PMDB de Padilha tenha dado apenas 65 de seus 93 votos para arquivar a CPI do Apagão, o deputado afirma que "não há nenhum movimento de oposição" em sua iniciativa. Mas o Planalto não gostou da iniciativa, segundo parlamentares. Correligionários seus lembram, no entanto, que nove peemedebistas votaram a favor da CPI e afirmam que a dissidência foi "um recado" ao Planalto. Nos bastidores, líderes de várias alas aconselham o governo a ficar atento às insatisfações do PMDB e avaliam que os problemas podem estar apenas começando.Padilha argumenta que esclarecer a sociedade é papel do parlamento, mas que também, e "sobretudo", deve ser um interesse do governo. Ele lembra que o governo tem maioria na Comissão, onde os partidos aliados somam 23 representantes, contra apenas 9 do bloco de oposição. "O governo deve ter interesse em dizer à população o que está ocorrendo, para que todos possam se orientar. Não se governa às escuras", diz Padilha, que já aprovou requerimentos convidando também o presidente da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, e o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, para comparecer à comissão. "O governo tem interesse em que tudo seja feito às claras, com a máxima transparência para a população", insiste o deputado. Nos requerimentos, os convidados são chamados a esclarecer as razões da crise que "tem provocado insegurança e causado prejuízos irreparáveis às pessoas (físicas e jurídicas) e ao próprio PIB Nacional". Caso eles se recusassem a comparecer, a comissão poderia usar de seu poder constitucional para convocar o ministro da Defesa, Waldir Pires, que não teria como fugir à convocação. Embora a cota do PMDB no ministério tenha saltado de dois para cinco ministros, setores importantes da bancada da Câmara advertem que o sentimento interno é de que foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quem saiu ganhando. Prevalece a avaliação de que o PMDB serviu apenas de "barriga de aluguel" para o presidente escolher o ministro da Agricultura que bem entendeu, ignorando as preferências da bancada. Isto, depois de "empurrar goela abaixo do partido" o apadrinhamento do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que é identificado pelos peemedebistas como um quadro do PC do B."Se o (ministro da Agricultura Reinhold) Stephanes não afinar a viola com o partido, ele e o governo poderão ter muitos problemas", advertiu o deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT) em uma roda de peemedebistas. Só o novo ministro da Integração, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), é considerado um autêntico representante da bancada, com uma observação: a iniciativa de indicá-lo para o ministério não partiu da bancada nem do partido, e sim do governador petista da Bahia, Jaques Wagner, a quem todos atribuem a escolha presidencial.

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