Plano de emergência poderia ter evitado mortes em Mariana, diz presidente da Samarco

Roberto Carvalho divulgou ações colocadas em prática pela empresa e disse esperar que acordo de R$ 20 bi seja homologado

Leonardo Augusto, Especial para O Estado

05 Abril 2016 | 18h07

BELO HORIZONTE - O presidente da Samarco, Roberto Carvalho, disse nesta terça-feira, 5, que, caso o plano de emergência da empresa tivesse sido colocado em prática no dia do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, pelo menos cinco vidas poderiam ter sido salvas. As cinco de moradores do distrito de Bento Rodrigues, destruído pela lama. Dezoito pessoas morreram com o rompimento da represa. Uma ainda está desaparecida.

"Em relação às outras 14 pessoas fica difícil falar, já que todas trabalhavam próximo à barragem", disse. Planos de emergências para casos como esse preveem, por exemplo, acionamento de sirenes e comunicação rápida para evacuação de possíveis atingidos. Para a Polícia Federal, que investiga as causas do rompimento da barragem, porém, o plano era ineficaz.

Carvalho divulgou nesta terça, cinco meses depois da tragédia em Mariana, relatório sobre ações colocadas em prática pela empresa depois da queda da barragem, como pagamento de benefícios e cobertura vegetal de áreas que ficaram tomadas pela lama. 

O presidente da Samarco disse ainda esperar que o acordo fechado pela empresa e suas controladoras com a União e os governos de Minas Gerais e Espírito Santo seja homologado pela Justiça mesmo sem a anuência do Ministério Público Federal. O termo prevê R$ 20 bilhões nos próximos dez anos para reparação de danos ambientais provocados pela lama da barragem da Samarco que rompeu em Mariana em 5 de novembro do ano passado e recuperação socioeconômica da população atingida. A mineradora pertence à Vale e a BHP Billiton. 

Para o presidente da Samarco, o acordo é o melhor caminho a ser seguido para superar os estragos provocados pela mineradora. "Respeito a posição do Ministério Público. Está no papel dele. Vamos conversar com o Ministério Público, mas acredito na homologação do acordo. É a melhor solução para essa questão", afirmou Carvalho. As principais críticas do Ministério Público Federal sobre o acordo é que, na avaliação dos procuradores, não houve tempo suficiente de debate com a população atingida pela lama. 

Em audiência realizada no último dia 30 na Assembleia Legislativa de Minas Gerais sobre o desastre em Mariana, o procurador Jorge Munhoz, que participa da força-tarefa montada para apuração da tragédia, afirmou que o MPF emitirá parecer contrário ao acordo. O termo foi fechado em Brasília em 2 de março e, até o último dia 30, não havia chegado ao Ministério Público Federal para posicionamento dos procuradores.

Vazamentos. Segundo Carvalho, hoje, não há mais vazamento de rejeitos da represa que rompeu em Mariana. De acordo com o presidente da Samarco, o que ainda desce por córregos atingidos é a lama que se instalou nos cursos d'água depois da tragédia e que, sobretudo pelas chuvas, são revolvidas. A empresa espera voltar a operar em Mariana no quarto trimestre de 2016, com duas cavas para depósito do rejeito, o que evitaria, portanto, a utilização de barragens como a que rompeu. O presidente da Samarco negou que a área do distrito de Bento Rodrigues, vá se transformar em uma barragem de rejeitos. "Estamos analisando a possibilidade de transformá-la em um parque", afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.