Silvio Avila//EFE
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Presidente da Taurus compara posse de arma em casa a ter cão de guarda

"A pessoa pode optar por ter um muro alto, um cachorro, contratar uma empresa de segurança ou ter sua própria arma legalmente para sua defesa. É um direito que a pessoa pode exercer ou não", defendeu o empresário

EFE

06 de junho de 2019 | 17h00

O presidente da empresa brasileira de armamentos Taurus, uma das maiores fabricantes de armas no mundo, Salesio Nuhs, afirmou, em entrevista à Agência Efe, que ter posse de arma de fogo em casa é uma opção válida para se defender, assim como ter um muro alto ou um cão de guarda. "A pessoa pode optar por ter um muro alto, um cachorro, um sistema de alarme, contratar uma empresa de segurança ou ter sua própria arma legalmente para sua defesa. É uma escolha individual, um direito que a pessoa pode exercer ou não", defendeu Nuhs, 59 anos.  

Com uma experiência de quase três décadas no setor, o presidente da Taurus, companhia líder mundial em produção de revólveres, está otimista desde a chegada ao poder de Jair BolsonaroEle espera que aumente "de forma relevante" a demanda por armas de fogo entre os caçadores, colecionadores, aficionados por tiro e "cidadãos de bem do País", disse, especialmente após os decretos assinados por Bolsonaro

Estes textos facilitam a compra de armas e flexibilizam o porte para determinadas atividades e profissões. "Todos os brasileiros estão com uma expectativa muito grande de um País melhor e em poder exercer o direito de adquirir armas de fogo para sua legítima defesa, garantido pela Constituição e conquistado em um referendo de 2005", afirma. 

O dirigente fez referência a uma consulta realizada em 2005 em que 63% dos brasileiros se pronunciaram contra a proibição da venda de armas a civis. “Antes, o delinquente tinha a certeza que que a vítima estaria desarmada, agora, a dúvida beneficiará os cidadãos de bem”, expõe. 

Nuhs é contrário ao que afirmam as diversas associações de direitos humanos que indicam que quanto maior é o número de armas em circulação, maiores são os índices de violência, e expressa que as estatísticas “dependem do ponto de vista com o qual são vistas”. O empresário é também presidente da Associação Nacional das Indústrias de Armas e Munições (Aniam), do Brasil, e vice presidente Comercial e de Relações Institucionais da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC). 

Ele também pensa que, no Brasil, ainda falta muito para chegar ao nível dos Estados Unidos em relação às armas. “No Brasil, ainda temos a mesma tradição. Nos EUA, a cultura de armas faz parte da cultura do cotidiano”, comenta, ressaltando que qualquer cidadão deve “passar por todos os critérios legais e administrativos” para obter uma arma. 

Resultados 

Nuhs assumiu em janeiro de 2018 a presidência da Taurus e, a partir de aí, impulsionou um ambicioso programa de reestruturação para devolver a empresa ao terreno dos lucros. Apesar de ser a quarta marca mais vendida no mercado americano, a Taurus encerrou o ano passado com perdas líquidas em quase R$ 60 milhões, em seu sexto ano seguido no vermelho. 

Seu plano passa por reduzir os custos e melhorar a produtividade colocando a casa em ordem, em nível interno. “Atendendo ao mercado com o desenvolvimento de uma centena de novos produtos e renegociando a dívida volumosa", explica. 

Seu projeto também envolve uma expansão internacional, especialmente nos mercados asiáticos, que se verá fortalecida quando concluírem a transferência de sua fábrica da Florida para a Georgia, o que permitirá duplicar sua capacidade de produção nos EUA.  

Com uma produção média de 4 mil armas por dia, a Taurus obteve no primeiro trimestre deste ano um lucro líquido de quase R$ 4 milhões, cerca de 240% a mais que no mesmo período de 2018.

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